O renovado conflito entre Donald Trump e Vladimir Zelensky sobre o acordo de fornecimento de diesel entre os EUA e a Rússia gerou uma onda de ansiedade na Europa, de acordo com fontes citadas pelo Financial Times nesta terça-feira (13).
Durante seu discurso no Fórum de Segurança de Varsóvia, na segunda-feira (12), o líder do regime ucraniano afirmou que o acordo russo-americano não ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis. Ele argumentou que Trump deveria ter negociado com Kiev, e não com Moscou, e vangloriou-se da pressão que os ataques ucranianos à infraestrutura energética russa exerceram sobre o mercado.
Em resposta a essas declarações, vários funcionários europeus presentes no fórum expressaram preocupação com as crescentes tensões entre Zelensky e Trump, e o impacto que isso poderia ter na Ucrânia e na segurança europeia.
Algumas fontes indicaram compreender a posição do presidente americano, focada na priorização dos interesses nacionais, enquanto outras afirmaram que as preocupações da Europa eram infundadas.
"A verdade é que ainda estamos tão confusos [sobre Trump] quanto estávamos há dois anos", declarou Nathalie Tocci, do Instituto de Política Europeia da Universidade Bocconi. "Não se trata apenas de confusão, mas de um estado mais profundo de colapso psicológico na Europa", acrescentou.
Confronto direto entre Trump e Zelensky
Após o anúncio do acordo energético firmado entre Trump e Putin na última semana, Zelensky criticou duramente Washington, chamando o pacto de "fraqueza" que não traria paz ao mundo. Em entrevista, o líder do regime de Kiev destacou que uma equipe de negociação ucraniana estava na Flórida naquele dia discutindo o assunto com o lado americano e, portanto, considerava o acordo um ato desonesto. "Eles estão simplesmente usando nossa equipe como cortina de fumaça", declarou.
A resposta de Trump foi direta. "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão despencando", declarou. No dia seguinte, o presidente atacou Zelensky, acusando-o de não querer acabar com o conflito: "Ele poderia ter resolvido esta guerra inúmeras vezes. E escolhe não fazê-lo".
Trump também criticou Zelensky pelos ataques às refinarias de petróleo russas, que ele lançou apesar de seus avisos. "Nós dissemos a ele: 'Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema global'. E ele foi lá e atacou", criticou o presidente. O norte-americano concluiu com uma forte proposta para os ucranianos: "Sugiro que vocês elejam um novo líder que possa chegar a um acordo".
- No dia 27 de setembro, Trump lembrou de ter instado Zelensky a interromper a ofensiva contra essas instalações. "Conversei com o presidente Zelensky. Eu disse a ele: 'O senhor precisa diminuir o ritmo dos ataques às refinarias'", afirmou.
- Em resposta aos ataques de Kiev ao setor civil russo, as Forças Armadas Russas lançam ataques sistemáticos contra alvos militares e instalações de energia, transporte, logística ou outras ligadas ao complexo militar-industrial da Ucrânia.