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'Tô achando que El Salvador é pouco', diz Flávio ao prometer endurecimento do combate ao crime

Candidato do PL à presidência defendeu política ''radical'' na segurança pública, com a criação de ''mais de meio milhão de vagas em presídios''.
'Tô achando que El Salvador é pouco', diz Flávio ao prometer endurecimento do combate ao crimeGettyimages.ru / Mateus Bonomi/Anadolu/Camilo Freedman/SOPA Images/LightRocket

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, prometeu ampliar a capacidade prisional do país em mais de 500 mil vagas e endurecer as penas para crimes como estupro, abuso sexual e roubo de celulares. As declarações foram feitas durante um evento em São Paulo nesta terça-feira (13).

"E aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública, vocês não viram nada ainda. Eu já estou trocando uma ideia com o [senador eleito e deputado federal, Guilherme] Derrite, já tenho trocado umas ideias com o Derrite, porque eu estou achando que El Salvador é pouco", declarou Flávio, em referência ao modelo de segurança adotado pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele. 

Flávio também defendeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças, além de penas mais longas. Para os autores de roubo de celulares, afirmou que pretende propor uma mudança na legislação para estabelecer pena mínima de oito anos de prisão.

"Vai ficar preso e vai ser obrigado a trabalhar para dar valor a como é difícil comprar um celular", disse. O candidato acrescentou que pretende ampliar a estrutura penitenciária para viabilizar o endurecimento das medidas.

Modelo Bukele

O modelo de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, combina prisões em massa, endurecimento das penas e ampliação dos poderes das forças de segurança no combate às gangues criminosas.

Desde março de 2022, o país mantém um regime de exceção que permitiu a detenção de dezenas de milhares de pessoas. A estratégia também inclui o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), megapresídio com capacidade para 40 mil detentos.

Uma das medidas mais recentes é a realização de julgamentos coletivos. Em abril de 2026, a Justiça salvadorenha iniciou um processo contra 486 supostos integrantes da gangue Mara Salvatrucha (MS-13), acusados de mais de 47 mil crimes cometidos entre 2012 e 2022.

Bukele defendeu a iniciativa com o argumento de que os líderes das organizações devem responder pelos crimes cometidos por seus integrantes, comparando o princípio aos julgamentos de Nuremberg.