
Quais países enfrentam melhor turbulência global e quais ficam para trás segundo o FMI

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, indicou nesta quarta-feira (14) quais economias estão resistindo melhor à turbulência global e quais enfrentam maiores dificuldades.
Durante seu discurso nas Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok, Tailândia, Georgieva alertou que a economia global continua demostrando resiliência diante de choques e incertezas, mas advertiu que "essa resiliência está chegando a seu limite". Ela explicou que as reservas de segurança, tanto energéticas quanto fiscais, estão se esgotando.

Nesse contexto, ela indicou que crescimento mundial está sendo impulsionado em duas direções opostas: para baixo, pelas tensões no fornecimento de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio, e para cima, pelo aumento da demanda ligado à inteligência artificial.
O resultado, segundo Georgieva, será uma expansão global de cerca de 3,1% em 2026, a mesma projetada em abril, embora inferior aos 3,4% registrados no ano passado.
Diferenças significativas entre países
No entanto, Georgieva enfatizou que esse número esconde diferenças consideráveis entre os países. Explicou que as economias que resistem melhor à crise são aquelas integradas à cadeia de suprimentos de IA (muitas delas na Ásia, como Tailândia, Malásia, Coreia do Sul e Singapura), bem como os países exportadores de energia que não estão envolvidos em conflitos.
Por outro lado, alertou que as economias de baixa renda e os estados frágeis ou devastados por guerras são os mais vulneráveis, especilamente aqueles dependentes de importações de energia ou aqueles que ficaram à margem do boom tecnológico.
Acrescentou que, desde a reunião de abril, os rendimentos da dívida nas economias avançadas atingiram níveis não vistos em décadas, impulsionados pela inflação persistente, aumento da carga tributária, demanda de investidores e expectativas de crescimento ligadas à IA.
Georgieva já tinha apontado que forte investimento em infraestrutura de IA está ajudando a sustentar o crescimento global cerca de 3% e que esse processo está gerando beneficíos significativos para diversas economias asiáticas fornecedoras de hardware, como a Tailândia.

