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Chip cerebral faz deficiente visual voltar a ler

O implante converte luz infravermelha em sinais elétricos e poderá abrir caminho para novas opções de tratamento da doença de Stargardt, que ainda não tem cura.
Chip cerebral faz deficiente visual voltar a lerScience Corporation

A empresa norte-americana Science Corporation implantou pela primeira vez o chip PRIMA em um paciente com doença de Stargardt, uma condição hereditária que provoca a perda progressiva da visão central.

O anúncio foi feito na terça-feira (13) pelo CEO da companhia, Max Hodak, durante o evento TechCrunch Disrupt.

O procedimento faz parte de um ensaio clínico realizado no Hospital Oftalmológico de Sydney, na Austrália, e marca o início dos testes da tecnologia em pacientes com a doença, que ainda não tem cura.

Como funciona o implante?

Segundo a empresa, o paciente recebeu o chip em maio. Na primeira sessão de reabilitação, conseguiu reconhecer uma letra; na segunda, já foi capaz de ler uma palavra.

O sistema combina o implante PRIMA, colocado sob a retina, com óculos especiais que projetam luz infravermelha. O chip converte essa luz em sinais elétricos, que são transmitidos ao cérebro por meio das células da retina que continuam funcionando.

Hodak explicou que, por enquanto, o dispositivo permite enxergar imagens em preto e branco, com alto contraste, em uma pequena área do campo visual.

A resolução, porém, já é suficiente para distinguir várias letras simultaneamente.

O próximo passo é ampliar essa área e melhorar a nitidez, aproximando o desempenho do implante ao da visão natural. 

A Science Corporation já comercializa o mesmo chip na Europa para tratar outra forma de degeneração macular. A empresa avalia que a tecnologia também poderá ser aplicada a outras doenças da retina, além da de Stargardt, que afeta cerca de 150 mil pessoas em todo o mundo.