Arqueólogos encontram 'cápsula do tempo' no fundo de mar na Turquia

Uma embarcação de cerca de 4.500 anos foi localizada a 30 metros de profundidade perto da Ilha de Kekova, na província de Antalya. O navio, do início da Idade do Bronze, transportava ânforas que ainda guardam resíduos de seu conteúdo original.

Arqueólogos anunciaram a descoberta do naufrágio mais antigo já identificado no mundo, localizado perto da costa da Ilha de Kekova, em Antalya, na Turquia. Segundo informação da ABC News, publicada na quinta-feira (14), a embarcação tem aproximadamente 4.500 anos, o que a situa no início da Idade do Bronze — período contemporâneo à construção da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.

Os artefatos estavam espalhados por um declive submerso a cerca de 30 metros de profundidade. A equipe recuperou três grandes âncoras de pedra e mais de 30 vasos cerâmicos de armazenamento. A estrutura de madeira do navio não resistiu com o passar do tempo, mas a carga permaneceu no fundo do mar, e alguns recipientes ainda contêm traços do que levavam.

"O naufrágio é uma cápsula do tempo no fundo do mar", afirmou o professor Hakan Öniz, que liderou a expedição da Associação de Arqueologia do Mediterrâneo,  de acordo com a BBC.

Sem madeira preservada, não foi possível aplicar a datação por radiocarbono. Os pesquisadores analisaram então o formato e a técnica de produção das ânforas. Os vasos encontrados têm características que, conforme Öniz, correspondem a objetos descobertos no Egito e no Oriente Médio com idade confirmada entre 4.400 e 4.700 anos.

Os pesquisadores acreditam que o navio saiu de algum ponto da costa leste do Mediterrâneo e se dirigia a Troia, atual noroeste da Turquia, ou para Creta. A região de Kekova é conhecida pelas correntes fortes e ventos que provocaram numerosos naufrágios.