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'Você acha que não estou preocupado?', diz Lula sobre a dívida pública

Presidente defende investimentos em infraestrutura e estímulo ao crédito como caminhos para impulsionar a economia e equilibrar as contas públicas sem cortar recursos dos mais pobres.
'Você acha que não estou preocupado?', diz Lula sobre a dívida públicaReprodução/TV Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15), durante sabatina da TV Globo com a jornalista Renata Lo Prete, estar preocupado com a dívida pública, mas defendeu que o endividamento pode ser importante quando direcionado a investimentos em infraestrutura e ao desenvolvimento do país.

"Você acha que não estou preocupado? Criei uma família com cinco filhos, sei o que é dívida", declarou. Lula afirmou que não deseja o crescimento da dívida, mas argumentou que o endividamento pode ser justificável para financiar ativos, como ferrovias e hidrelétricas.

"Se essa dívida for para construir um ativo para o país, uma ferrovia, uma hidrelétrica, é importante você ter uma dívida", disse. O presidente também defendeu que o ajuste fiscal não seja feito à custa da população de baixa renda. "Estou propondo não cortar dinheiro do pobre", afirmou.

Visão econômica

Lula criticou a concentração de renda e disse apostar no estímulo à microeconomia, por meio da oferta de crédito, do microempreendedor individual (MEI) e de pequenos negócios. "O que faz a economia do Brasil crescer é fazer o dinheiro rodar na mão do povo. Se o dinheiro fica concentrado na mão de meia dúzia de pessoas, o Brasil vai ficar pobre", declarou.

O presidente também defendeu o crescimento econômico como caminho para enfrentar o desequilíbrio fiscal. "O jeito de resolver o problema fiscal é fazer a economia crescer", afirmou. Segundo Lula, historicamente, medidas de ajuste acabam recaindo sobre os mais pobres. "Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. E não quero que o povo pobre pague", disse.

Ao avaliar o desempenho da economia brasileira, Lula afirmou que o país passou da 12ª para a 10ª posição entre as maiores economias do mundo e projetou que o Brasil poderá chegar à oitava colocação no próximo ano.