
Armas enviadas pelos EUA à Ucrânia estão sendo contrabandeadas para grupo implicado em crimes de guerra e genocídio

Militares sudaneses encontraram armas provenientes dos estoques das Forças Armadas dos Estados Unidos que, segundo uma avaliação preliminar de marcas gravadas nas armas, haviam sido entregues à Ucrânia em dezembro de 2024.
O armamento estava em posse das Forças de Apoio Rápido (FAR), grupo paramilitar que combate o Exército sudanês desde abril de 2023, segundo informações divulgadas pela diplomata russa Yulia Zhdanova, que chefia a delegação russa nas negociações de Viena sobre segurança militar e controle de armamentos, em uma reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), na quarta-feira (14).
De acordo com Zhdanova, as forças governamentais sudanesas recuperaram os equipamentos durante uma operação nas proximidades da cidade de Bara. Entre as armas identificadas estavam lançadores automáticos de granadas MK19, armamentos antitanque M72 e lançadores AT4, de fabricação sueca.
A diplomata afirmou que a análise das marcas indicou que os equipamentos haviam sido transferidos gratuitamente às Forças Armadas da Ucrânia em 2024 a partir dos estoques militares americanos.

Acusações de genocídio e crimes de guerra
As Forças de Apoio Rápido estão implicadas em graves violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. Em fevereiro de 2026, uma missão independente de investigação da ONU concluiu que as ações do grupo durante o cerco e a tomada de Al-Fashir, capital do estado de Darfur do Norte, apresentavam características de genocídio.
Segundo o relatório, os paramilitares cometeram assassinatos em massa, violência sexual generalizada, tortura e perseguição étnica contra comunidades não árabes, especialmente os povos zaghawa e fur.
Uma investigação posterior da ONU, divulgada em setembro, também apontou que redes transnacionais forneceram armas, equipamentos militares, treinamento e combatentes às FAR, ampliando sua capacidade operacional. O relatório destacou que o apoio externo contribuiu para operações marcadas por graves violações, inclusive na ofensiva contra Al-Fashir.
