Joia petrolífera do Canadá, província de Alberta vota hoje sobre processo de separação do país

Mais de 1,35 milhão de albertanos já votaram antecipadamente, ultrapassando participação de eleição provincial de 2023.

Os mais de 5 milhões de habitantes de Alberta, no oeste do Canadá, votam nesta segunda-feira (19) para decidir se a província permanece no país ou se inicia o processo legal para realizar um referendo de separação. As informações foram publicadas pela Associated Press.

A consulta acontece após uma petição reunir mais de 300 mil assinaturas favoráveis. A votação ocorre em momento delicado, após um incêndio na Base de Forças Canadenses Wainwright ter matado quatro militares no fim de semana.

A primeira-ministra provincial Danielle Smith, que convocou a votação mas apoia a permanência no Canadá, afirmou estar "profundamente preocupada" com o índice de 22% a 23% de apoio à separação revelado em pesquisas recentes, considerando-o "ainda muito alto".

Para além da pergunta central de permanência no país, os eleitores responderão a dez perguntas sobre imigração, constituição e acesso de não-residentes permanentes a serviços públicos. A apuração manual começará às 20h no horário local, com resultados previstos para as primeiras horas de terça-feira.

Mais de 1,35 milhão de albertanos votaram antecipadamente, equivalente a 43% dos eleitores, superando os 810 mil que compareceram nas eleições provinciais de 2023.

Caso os eleitores apoiem o avanço do processo, Smith afirmou que isso iniciaria procedimento legal para realizar referendo vinculante, com possibilidade de ocorrer em 2027. Mesmo com provável rejeição, líderes separatistas indicam que o movimento não desaparecerá.

Contra a autoridade central

Os líderes separatistas Mitch Sylvestre e Jeffrey Rath, do grupo "Alberta Prosperity Project", argumentam que políticas ambientais do governo central prejudicaram o crescimento econômico da província, rica em petróleo e detentora da quarta maior reserva mundial comprovada.

Rath declarou à AP que as restrições federais de vacina que impediam canadenses não-vacinados de utilizar voos comerciais foram seu "ponto de ruptura". O ex-premiê Jason Kenney afirmou que "muitas pessoas foram radicalizadas pelo comboio" [da Liberdade de 2022], movimento que começou contra exigências de vacina para caminhoneiros mas evoluiu para revolta ampla contra restrições pandêmicas.

Rath e outros defensores da independência se reuniram três vezes com autoridades do Departamento e Estado americano em Washington, apresentando documento sobre o que Alberta independente poderia oferecer aos EUA. O Departamento de Estado americano confirmou apenas que "se reúne regularmente com ampla gama de representantes" e que "a votação é decisão do povo de Alberta".

Do outro lado da moeda, a popularidade do primeiro-ministro canadense Mark Carney, nascido em Alberta, tem sido um fator incomum na província tradicionalmente conservadora. Carney tornou a exploração de petróleo de Alberta prioridade nacional e apoia oleoduto proposto para a Costa do Pacífico, angariando apoio ao governo central de Ottawa.

Em comícios recentes pelo voto pró-Canadá, as maiores ovações vieram quando falou sobre diversificar o comércio canadense para além dos Estados Unidos, refletindo nacionalismo alimentado pela guerra comercial e retórica anexionista do presidente americano Donald Trump.