Italianos no Brasil pedem debate sobre símbolos fascistas após publicação ligada a Flávio

Carta encaminhada ao Com.It.Es. de São Paulo reúne 151 adesões e questiona referências visuais associadas à propaganda de Mussolini em imagem de Flávio Bolsonaro.

Cidadãos italianos residentes no Brasil encaminharam ao Comitê dos Italianos no Exterior (Com.It.Es.) de São Paulo uma carta com 151 adesões solicitando um debate público sobre a memória antifascista e o uso de símbolos fascistas na comunicação política contemporânea.

A iniciativa surgiu após a divulgação, nos canais do Partido Liberal (PL), de uma imagem do senador Flávio Bolsonaro cuja composição visual, segundo os organizadores, remete à iconografia da propaganda de Benito Mussolini, líder do regime fascista italiano.

"Independentemente das intenções declaradas pelos responsáveis pela publicação, os signatários consideram que essa semelhança visual merece reflexão pública", afirma o documento. A carta também relaciona a discussão aos "desafios enfrentados pelas instituições democráticas brasileiras nos últimos anos".

Os organizadores defendem que a história italiana do século 20, "marcada pela experiência do fascismo, da resistência e da reconstrução democrática", constitui uma referência que "merece ser preservada e discutida também fora da Itália".

Grupo pede debate público

O grupo solicita ao Com.It.Es. a promoção de um encontro público para debater o significado da memória antifascista, o uso de símbolos fascistas no cenário político atual e o papel das instituições representativas dos italianos no exterior.

A iniciativa também recebeu apoio de brasileiros ítalo-descendentes e de integrantes da comunidade ítalo-brasileira. Segundo os organizadores, a proposta "não tem caráter de intervenção partidária", mas busca "criar um espaço de diálogo cívico sobre questões históricas e democráticas".