Integrantes da Confederação Unificada de Trabalhadores Camponeses da Bolívia iniciaram uma nova onda de protestos na segunda-feira (19) com marchas em todo o país contra o governo do presidente Rodrigo Paz, a quem acusam de entregar a soberania boliviana aos Estados Unidos.
Na semana passada, o líder da organização, Feliciano Vegamonte, anunciou manifestações nas capitais dos nove departamentos bolivianos.
Os camponeses, que integram a base de apoio ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), rejeitam as políticas econômicas de Paz, o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a adesão da Bolívia ao Escudo das Américas, iniciativa criada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para ampliar a influência de Washington na região.
Segundo o jornal Los Tiempos, Vegamonte acusou Paz de ter "entregado a soberania aos gringos". Para o dirigente, essa postura compromete a autonomia do país, viola a Constituição e revela tendências de um "governo totalitário".
Ele também comparou as políticas dos Estados Unidos na América Latina a uma "segunda Operação Condor", em referência à campanha de repressão política coordenada por ditaduras sul-americanas na década de 1970 com apoio dos EUA que perseguiu opositores em diversos países da região.