
Musk ordenou limitar Starlink na Ucrânia e provocou caos em Kiev — WSJ

Elon Musk ordenou reduzir a velocidade de uma versão militar do Starlink utilizada pelas forças ucranianas. A medida afetou o funcionamento de drones de ataque e interceptadores, provocando alarme em Kiev e confusão dentro do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal nesta terça-feira (20).
A restrição começou em 14 de outubro, depois que Trump e Musk manifestaram descontentamento com os ataques ucranianos contra refinarias de diesel russas. O presidente norte-americano atribui o aumento dos preços da energia a essas operações, embora a maioria dos analistas aponte a guerra com o Irã como um fator de maior impacto.

Segundo autoridades norte-americanas e pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo jornal, Musk limitou a velocidade com que determinados equipamentos ucranianos podiam se conectar à rede de satélites. Com isso, alguns drones ofensivos e interceptadores usados para combater ataques teriam se tornado praticamente inutilizáveis.
Algumas fontes afirmam que Musk agiu por conta própria e que Trump não ordenou especificamente nenhuma retaliação contra a Ucrânia. No entanto, uma pessoa com conhecimento do assunto declarou que o empresário conversou com vários integrantes de alto escalão de Washington, incluindo o próprio presidente, antes de impor a limitação de velocidade.
Contradições
Horas depois de as restrições virem a público, Musk publicou no X: "Qualquer limitação de velocidade ou de uso é decidida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente americano". Trump, por sua vez, declarou em 19 de outubro que não sabia quem era o responsável pela medida, mas acrescentou que gostaria de descobrir.
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que Washington não retirou a cobertura nem emitiu diretrizes sobre o Starlink na Ucrânia. Ele ressaltou que o serviço está sujeito a condições de uso que cabe à empresa fazer cumprir e sustentou que, do ponto de vista do governo norte-americano, a política em relação à Ucrânia não mudou.
Tensões em torno do Starlink
Após o início das restrições, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, acusou Washington, em diversas ocasiões, de promover uma "operação planejada" para enfraquecer as defesas de seu país e classificou a medida como "absolutamente absurda".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na sexta-feira (16) as acusações de Zelensky de que Washington havia limitado o acesso ao Starlink. Também afirmou que, pelo que sabia, "tudo continua igual" e questionou se o funcionamento do serviço havia sido interrompido em algum momento.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também questionou, no sábado (18), o líder do regime de Kiev. "Não tenho certeza de que Zelensky saiba do que está falando", declarou. Rubio acrescentou que a Casa Branca não tem relação com a redução da velocidade do Starlink.
