Petróleo brasileiro impulsiona comércio com China a recorde de US$ 143 bilhões

Exportações brasileiras da commodity cresceram 49% nos primeiros nove meses de 2026, enquanto importações de carros elétricos chineses avançaram 341%.

O comércio entre Brasil e China atingiu o recorde de US$ 143,3 bilhões (cerca de R$ 721,6 bilhões) entre janeiro e setembro de 2026, impulsionado pelo crescimento das exportações brasileiras de petróleo. O volume negociado representa uma alta de 11,1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

As exportações brasileiras para a China somaram US$ 84,7 bilhões (cerca de R$ 426,5 bilhões), crescimento de 12%, enquanto as importações alcançaram US$ 58,6 bilhões (cerca de R$ 295,1 bilhões), avanço de 9,9%. Com isso, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões (cerca de R$ 131,4 bilhões), equivalente a aproximadamente 42% do saldo positivo total do país no período.

O petróleo foi o produto brasileiro com maior crescimento em valor exportado para o mercado chinês, com vendas de US$ 21,8 bilhões (cerca de R$ 109,8 bilhões), alta de 49% na comparação anual. A China absorveu metade das exportações brasileiras de petróleo bruto nos nove primeiros meses do ano.

A soja permaneceu como o principal produto vendido ao país asiático, movimentando US$ 30 bilhões (cerca de R$ 151,1 bilhões), aumento de 3,6%. O grão representou 35,4% das exportações brasileiras para a China, que recebeu aproximadamente 70% dos embarques nacionais. Já o minério de ferro somou US$ 13,8 bilhões (cerca de R$ 69,5 bilhões), queda de 0,6%.

Veículos chineses

Enquanto o Brasil ampliou as vendas de matérias-primas, as importações de carros elétricos chineses dispararam 341%, alcançando aproximadamente US$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 12,1 bilhões) entre janeiro e setembro.

As compras de veículos híbridos cresceram 248%, para US$ 641 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões), enquanto as de híbridos plug-in avançaram 89%, totalizando US$ 2,871 bilhões (cerca de R$ 14,5 bilhões). Segundo o levantamento, a China respondeu por 86% das importações brasileiras dessas categorias de veículos eletrificados.

Outro destaque foi o espodumênio, mineral utilizado na produção de lítio para baterias. As exportações brasileiras do produto cresceram 339%, atingindo US$ 172,3 milhões (cerca de R$ 867,6 milhões). A China concentrou 97% das vendas externas brasileiras do mineral.

Em contrapartida, as exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês recuaram 8,5% em valor e 22% em volume. Após o esgotamento da cota anual de 1,106 milhão de toneladas em setembro, os embarques acima desse limite passaram a enfrentar uma sobretaxa de 55%, além da tarifa regular de 12%, a partir de 1º de outubro.

O Rio de Janeiro liderou as exportações brasileiras para a China, com US$ 20,5 bilhões (cerca de R$ 103,2 bilhões), impulsionadas principalmente pelo petróleo. Minas Gerais apareceu em segundo lugar, com US$ 11,8 bilhões (cerca de R$ 59,4 bilhões). Nas importações, São Paulo ocupou a primeira posição, com US$ 15,1 bilhões (cerca de R$ 76 bilhões) em produtos chineses.