Na esteira dos protestos estudantis que vêm ocorrendo em outros países europeus, estudantes portugueses também foram às ruas para defender seus direitos e contestar mudanças no financiamento do ensino superior.
Estudantes de instituições de ensino superior de Lisboa se reuniram em frente à sede do governo português para protestar contra a proposta do governo de voltar a aumentar o limite máximo das mensalidades, congelado desde 2020, a partir do ano letivo de 2027/2028.
Segundo publicado pelo Observador, na quarta-feira (21), cerca de 200 estudantes participaram da manifestação, enquanto a RTP informou que o número chegou a 300. Entre as palavras de ordem ouvidas estava: "A mensalidade é para acabar, não é para aumentar".
O valor máximo anual das mensalidades está congelado desde 2020 e corresponde a 697 euros no ano letivo de 2026/2027.
A proposta do Orçamento do Estado para 2027 prevê acrescentar a esse limite a variação média do Índice de Preços no Consumidor, excluindo a habitação, registrada em 2026.
António Jarmela, presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, estima que o reajuste represente cerca de 15 euros a mais por ano nos cursos de licenciatura.
Estudantes pedem gratuidade e mais apoio social
Os manifestantes foram além da oposição ao reajuste e defenderam a eliminação das mensalidades e a ampliação do investimento público na educação. Os manifestantes também denunciaram atrasos no pagamento de bolsas de estudo.
Um representante da associação de estudantes afirmou: "Todos temos direito ao ensino superior, público, gratuito e de qualidade".
António Jarmela destacou que os gastos com alimentação, exames e materiais de estudo aumentam os custos da vida universitária.
Ele também alertou para a proposta de quase duplicar as mensalidades dos mestrados na instituição. "Isto é quase um crime social", indignou-se.
O protesto também foi motivado pela preocupação com o financiamento do ensino superior e com as políticas de ação social destinadas aos estudantes.
Segundo a RTP, Amélia Saraiva, da associação de estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, chamou a atenção para a previsão de redução de 7,6% nos recursos destinados ao setor no Orçamento do Estado para 2027.
Nova manifestação está prevista para novembro
Os estudantes pretendem voltar às ruas em 18 de novembro com uma marcha até à Assembleia da República durante o período de votação das propostas do Orçamento do Estado para 2027.
A mobilização busca manter a pressão contra a atualização das mensalidades e ampliar o debate sobre as condições de acesso e permanência no ensino superior.
Protestos por moradia continuam no Porto
Ao mesmo tempo, também ocorrem protestos por moradia onde manifestantes reivindicam aluguéis mais acessíveis e maior oferta de habitação.
O Movimento pela Habitação prolongou até 31 de dezembro de 2026 o aviso de manifestação na Praça D. João I, no Porto. A porta-voz do grupo Maria João Calisto afirmou: "O nosso objetivo não é ficar até 31 de dezembro, é conseguir soluções e um entendimento".
Os manifestantes exigem aluguéis mais acessíveis e maior oferta de moradia, contestando a alta dos preços e mudanças nas regras de aluguel e despejo.