STF suspende licença de gigante canadense de mineração de ouro na Amazônia

Ministro Edson Fachin considerou que ainda não há comprovação suficiente de que foram cumpridas todas as medidas necessárias para avaliar os impactos do empreendimento e proteger as comunidades potencialmente afetadas.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu novamente a licença para a instalação de uma mina de ouro da canadense Belo Sun na Volta Grande do Xingu, no Pará, diante de pendências no cumprimento de exigências ambientais e na proteção dos direitos dos povos indígenas, conforme publicado pelo Instituto Socioambiental.

Assinada em 19 de outubro, a decisão atende parcialmente a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).

Fachin considerou que ainda não há comprovação suficiente de que foram cumpridas todas as medidas necessárias para avaliar os impactos do empreendimento e proteger as comunidades potencialmente afetadas.

Pontos pendentes

A mineradora planeja construir uma das maiores minas de ouro a céu aberto do Brasil em uma região amazônica já afetada pela hidrelétrica de Belo Monte.

Entre os pontos pendentes estão a identificação de comunidades indígenas que podem sofrer impactos, a análise de possíveis reassentamentos e os efeitos combinados da mineração e da usina.

A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) também apontou falhas nos estudos e no processo de consulta livre, prévia e informada às comunidades, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A licença havia sido restabelecida em fevereiro por uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Em abril, a Belo Sun informou ao mercado que o governo do Pará havia reemitido a autorização com validade até 2029.