
Ex-chanceler Celso Amorim acusa Meta de causar danos irreparáveis à eleição brasileira

O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que a atuação da Meta*, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, provocou "danos irreparáveis" ao processo eleitoral brasileiro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo o ex-chanceler classificou como "muito grave" o episódio envolvendo restrições a perfis do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e recomendações algorítmicas de contas ligadas a Flávio Bolsonaro (PL).
Amorim descreveu o episódio como "uma interferência que já deixa uma marca, qualquer que seja o resultado" do segundo turno, marcado para domingo (25). "Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países", declarou.

A manifestação ocorre após a divulgação de mensagens internas da Meta que apontaram problemas envolvendo as campanhas eleitorais. Os episódios incluíram restrições ao impulsionamento de publicações de Lula no Instagram e recomendações de canais ligados a Flávio em pesquisas no WhatsApp.
A controvérsia levou a campanha de Lula a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Flávio por suposta manipulação algorítmica. A Corte também determinou que a Meta garantisse tratamento igualitário às candidaturas, sob pena de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
A Meta negou interferência eleitoral ou favorecimento a qualquer candidatura. Em resposta ao TSE, a empresa afirmou ter tratado igualmente as campanhas de Lula e Flávio e atribuiu os problemas identificados a falhas técnicas, incluindo uma ocorrência envolvendo sua ferramenta de inteligência artificial.
Apesar das críticas, Amorim não atribuiu diretamente o episódio ao governo do presidente americano, Donald Trump. Questionado sobre possíveis conexões entre as elites de poder dos Estados Unidos e as grandes empresas de tecnologia, o assessor ponderou: "Eu tenho a impressão que sim, mas eu não posso fazer uma acusação".
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.
