União Europeia prepara liberação de frango e mel do Brasil, mas mantém veto à carne bovina

Delegação do bloco prevê maioria para suspender restrições aos dois produtos em novembro; retomada efetiva deve ocorrer em dezembro.

A União Europeia (UE) deve autorizar a retomada das importações de frango e mel brasileiros em dezembro, após a suspensão das compras em setembro. A previsão foi informada pela Delegação da UE no Brasil ao Poder360, mas a medida ainda depende de aprovação das autoridades europeias.

O Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da UE concluiu a análise de uma inspeção realizada no Brasil. O colegiado deverá votar em novembro sobre o levantamento das restrições comerciais aos dois produtos.

"Tudo indica que se reunirá a maioria qualificada necessária para aprovar o levantamento do embargo", informou a delegação. Mesmo após uma eventual aprovação, a retomada efetiva das importações poderá levar cerca de 20 dias, o que deslocaria a liberação para dezembro.

A expectativa de reabertura ocorre após a Comissão Europeia divulgar resultados positivos da auditoria realizada por técnicos do bloco. A inspeção avaliou o cumprimento das exigências europeias sobre a proibição do uso de antimicrobianos para estimular o crescimento e aumentar o rendimento de animais.

A possível liberação, entretanto, não incluirá a carne bovina brasileira, que continuará sujeita ao embargo. O processo para retomar as exportações desse produto poderá levar até dois anos, uma vez que a UE exige comprovação de que os antimicrobianos não foram utilizados durante todo o ciclo de vida dos animais.

Além de frango, mel e carne bovina, a medida atingiu tripas, ovos e pescados, após a indústria brasileira não apresentar as informações exigidas pela Comissão Europeia sobre o cumprimento das regras sanitárias.

A legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos para acelerar o crescimento ou elevar o rendimento dos animais destinados à produção de alimentos. A restrição busca evitar o desenvolvimento de microrganismos resistentes a medicamentos, associado ao uso excessivo dessas substâncias na pecuária.