A Hungria continua se opondo a algumas medidas relacionadas à Ucrânia apesar da mudança de governo após a saída do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán. A diferença é que agora o país adota um tom mais diplomático, informou o Politico citando vários oficiais europeus.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, viajaram a Budapeste para destacar a melhora nas relações entre a UE e a Hungria, mas não conseguiram obter compromissos para liberar mais recursos europeus, segundo três funcionários da UE e um diplomata familiarizado com os preparativos da visita.
Bilhões de euros continuam bloqueados
No mês passado, Bruxelas liberou mais de 4 bilhões de euros (quase 4,48 bilhões de dólares) que haviam sido retidos durante o governo Orbán devido ao suposto retrocesso democrático no país. No entanto, outros bilhões de euros continuam bloqueados.
O novo primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, exige a liberação integral dos recursos e mais 2 bilhões de euros do próximo orçamento comunitário como compensação pelo dinheiro perdido durante o governo anterior.
Um funcionário europeu foi categórico ao comentar as perspectivas de liberação dos recursos. Embora a Comissão queira "recompensar" a Hungria com a liberação do dinheiro, continua agindo com cautela. "Há uma razão para termos congelado esse dinheiro", afirmou um diplomata.
Quase 200 dias se passaram desde a saída de Orbán, e um dos diplomatas europeus entrevistados reconheceu uma mudança significativa no "estilo e na atitude" de Magyar, especialmente no Conselho Europeu.
"Ele já não tenta dificultar as coisas para os outros líderes", afirmou. No entanto, as posições húngaras sobre a Ucrânia e a migração continuam essencialmente as mesmas; mudou apenas "a forma de apresentá-las".
Resistência ao apoio à Ucrânia
Magyar continua demonstrando resistência em algumas ocasiões ao financiamento da Ucrânia e à adesão do país à UE, informou outra fonte.
Na cúpula da semana passada, o primeiro-ministro húngaro e outros líderes da Europa Central rejeitaram o pagamento dos juros de novos empréstimos a Kiev, provocando insatisfação entre vários dirigentes, segundo dois diplomatas.
Assim, Bruxelas está paralisada em várias frentes, desde as discussões sobre o orçamento de 2 trilhões de euros até a política energética. As divisões ideológicas ficaram evidentes na última cúpula, na qual, segundo dois funcionários, houve até "gritos" entre os participantes.
Relações tensas
As relações entre os dois países se deterioraram em julho, quando Budapeste bloqueou o início das negociações para a adesão da Ucrânia à União Europeia, exigindo que Kiev garantisse primeiro os direitos dos húngaros que vivem na região da Transcarpátia.
Como consequência, foi apresentado ao Parlamento ucraniano um projeto de lei para ampliar as oportunidades de educação em língua materna para os húngaros da Transcarpátia.
Em meados de outubro, Magyar afirmou que Budapeste não fornecerá assistência militar à Ucrânia.
"A Hungria não deseja fornecer assistência armada à Ucrânia e não permitirá o trânsito de carregamentos de armas pelo seu território", declarou o primeiro-ministro, ressaltando que a postura de Budapeste sobre a assistência militar a Kiev "permanece inalterada".