
Lula chama Flávio de 'miliciano' após provocação sobre seus dedos em debate

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou Flávio Bolsonaro (PL) de "miliciano" e exigiu um pedido de desculpas após ser chamado de "nove dedos" pelo adversário durante o debate presidencial da TV Globo. Flávio se desculpou pela expressão, mas passou a questionar o petista sobre os problemas sociais e econômicos do país.
"Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir", afirmou Lula, ao reagir à provocação do candidato do PL.

O presidente relembrou o acidente de trabalho em que perdeu um dedo aos 17 anos e destacou sua experiência como trabalhador. "Se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu", declarou.
Lula também acusou Flávio de não conhecer a realidade dos trabalhadores e questionou sua trajetória profissional. Segundo o petista, o adversário teria conseguido seu primeiro emprego por influência do pai, Jair Bolsonaro.
O presidente voltou a exigir uma retratação e relacionou o episódio às condições enfrentadas por brasileiros que sofrem acidentes de trabalho. "Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo", afirmou.
Pedido de desculpas
Na tréplica, Flávio Bolsonaro pediu desculpas pela referência à condição física de Lula, mas aproveitou a resposta para apresentar críticas à atuação do governo federal.
"Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender", declarou o candidato.
Em seguida, Flávio questionou se o presidente pediria desculpas à população em situação de rua, afirmando que o número de pessoas nessa condição teria quase dobrado durante o governo Lula.
O candidato citou cerca de 199 mil pessoas em situação de rua anteriormente registradas no Cadastro Único e afirmou que o contingente atual seria quase o dobro.
Críticas ao governo
Flávio também criticou a política de assistência social, afirmando que os beneficiários do Bolsa Família teriam sido esquecidos durante a gestão petista.
O candidato acusou Lula de conceder um reajuste próximo das eleições e questionou o impacto do aumento no orçamento das famílias. "Você compra três ovos com isso e olha lá", afirmou, ao se referir ao valor que, segundo ele, equivaleria a R$ 3 por dia.
Na área de segurança, Flávio cobrou explicações sobre a violência contra as mulheres, o endividamento da população e o aumento dos preços dos alimentos.
O candidato também afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros estariam enfrentando dificuldades para pagar suas contas, responsabilizando o governo pelasituação econômica.
Ao comentar suas viagens pelo Nordeste, Flávio disse ter identificado um sentimento de frustração entre os eleitores. "Porque a esperança virou decepção. A esperança virou medo", declarou.
Por fim, o candidato citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes como exemplos de atuação na segurança pública. Segundo Flávio, a gestão paulista conseguiu acabar com a Cracolândia e oferecer acolhimento e tratamento a pessoas que viviam nas ruas.


