Os houthis do Iêmen usaram documentos atribuídos a Jeffrey Epstein para apontar uma suposta relação da Arábia Saudita com o falecido criminoso sexual, segundo informou o The New York Times com base em arquivos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Os documentos desclassificados detalham como Jeffrey Epstein usou seus contatos no Oriente Médio paraadquirir objetos islâmicos raros, incluindo tapeçarias da Caaba de Meca, o lugar mais sagrado do islã, e azulejos do Uzbequistão — para decorar uma construção em sua ilha privada.
Quem ataca Meca?
A acusação vem em um contexto de tensão com Riad depois que a Arábia Saudita acusou, no mês passado,os houthis de lançarem um drone contra Meca — acusação que o movimento negou. Segundo o veículo, essa denúncia lhes deu margem para levar a discussão ao lugar mais sagrado do islã.
"Quem deu a Epstein cobertura na Caaba são os que estão atacando Meca", afirmou o presidente do Conselho Político Supremo dos houthis, Mahdi al-Mashat, em declaração reproduzida pela mídia iemenita.
Já o The New York Times assinalou que o grupo, que controla grande parte do Iêmen, costuma incorporar informações geradas por seus adversários em canções, vídeos, discursos, comunicados e publicações com o objetivo de reforçar seu apoio e atacar a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita respaldado pelo Ocidente.
De guerra interna a conflito regional
- Os rebeldes Houthis do Iêmen tomaram a capital, Saná, em 2014, no contexto da guerra civil iemenita, e assumiram o controle de parte do país, forçando a renúncia do governo e do então presidente, Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, que fugiu para Aden e solicitou ajuda aos países árabes.
- Assim, o conflito interno, que já se arrastava há anos entre os Houthis e o governo, transformou-se numa guerra regional com intervenção externa.
- Em 2015, uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos interveio no conflito, submetendo a população iemenita a uma guerra prolongada.
- Em 2022, a coalizão encerrou sua intervenção e teve início o processo de negociações entre as partes.
- Atualmente, os Houthis controlam Saná e o noroeste do Iêmen, incluindo a costa do Mar Vermelho — áreas onde vive a maior parte da população. Por sua vez, o governo, agora liderado por Rashad al-Alimi, tem sua sede em Aden.
- No início de outubro, Al Alimi anunciou o início de operações militares para recuperar o território que permanece nas mãos dos Houthis.
- Recentemente, a frágil trégua que havia congelado as linhas de frente no Iêmen desde 2022 foi encerrada, e os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram suas ações contra alvos ligados a Riad, enquanto o reino intensificava suas operações militares no Iêmen.