
Derrota para Trump: analista brasileiro explica importância regional da vitória de Lula

Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, afirmou em entrevista à RT que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva transcende as fronteiras do Brasil, já que o resultado representa uma derrota para a extrema-direita latino-americana e para o presidente dos EUA, Donald Trump.

O professor destacou que "é uma vitória para os democratas do mundo todo", para o "progressismo, para a esquerda, para as pessoas de bem, para as pessoas que querem um futuro melhor". "Esta é uma vitória para a humanidade", declarou.
Mudanças na política
Olhando para o futuro do novo mandato, Maringoni alertou que Lula terá que enfrentar a resistência da oposição radical e conter a violência das milícias e do crime organizado.
Ele também defendeu uma mudança na política econômica, com maior redistribuição de renda, justiça social e fortalecimento dos programas sociais.
"O povo brasileiro traçou o rumo; o rumo é: soberania, direitos, comida no prato, [...] salário no bolso e perspectiva, uma visão de futuro", resumiu o analista, que acredita que as expectativas sociais exigirão resultados concretos do governo.
Cenário internacional
No cenário internacional, ele prevê uma política externa brasileira mais orientada para o Sul Global, com o fortalecimento do BRICS e maior cooperação com a China, a Rússia, o Irã, a Ásia e a África.
Maringoni acredita que a perda de influência internacional de Washington abre caminho para uma ordem mais multipolar. "O Brasil está se voltando para o Sul Global", afirmou, defendendo a busca por novos parceiros comerciais diante da pressão dos EUA e enfatizando que a cooperação internacional será crucial para contrabalançar a influência das grandes potências.
"Somente a união e as alianças podem enfrentar uma ameaça tão grande à humanidade", explicou Maringoni.
Ao falar sobre as políticas de Washington, ele denunciou que "o império americano está passando por uma fase muito violenta, um estágio muito violento, porque está perdendo sua hegemonia, sua liderança moral".
"Ninguém acredita hoje que Donald Trump seja um apoiador ou defensor dos valores da justiça, da democracia e da liberdade", afirmou.
Um dos pilares de tal estratégia será o estreitamento dos laços com o México.
"No Brasil, precisamos fortalecer nossa aliança com o México. Com Cuba, precisamos salvar Cuba. E precisamos de uma nova política de relações internacionais para a América Latina — esse é o ponto de partida — e depois para a África, para o Sul Global", insistiu.
"Precisamos estreitar os laços com o México, que é a segunda maior economia do continente. É um país culturalmente muito importante", acrescentou.
Em contrapartida, ele descreveu as relações com a Argentina de Javier Milei como particularmente tensas e defendeu a reconstrução dos laços regionais, inclusive com Cuba, para promover uma agenda latino-americana baseada na soberania e no desenvolvimento autônomo.
Maringoni também apresentou o resultado brasileiro como um possível ponto de referência para as forças progressistas na região: "Tem que ser o início de um retorno, um retorno à esquerda na América Latina."

