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Por que a vitória de Lula foi histórica? Entenda em cinco fatos

Reeleição do candidato petista encerra um calendário eleitoral presidencial na América Latina em que, até então, só haviam sido registradas vitórias de políticos conservadores.
Por que a vitória de Lula foi histórica? Entenda em cinco fatosGettyimages.ru / Alexandre Schneider

As eleições no Brasil revelaram fatos que explicam por que a vitória de Luiz Inácio da Silva é um marco histórico. E não é "apenas" por ser a quarta vez que o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) vence uma disputa eleitoral.

O processo já foi precedido por outro recorde: aos 80 anos, Lula tornou-se o primeiro político brasileiro a liderar uma sétima campanha presidencial.

Embora tenha perdido suas três primeiras tentativas, teve uma sucessão de vitórias: venceu pela primeira vez em 2002 e foi reeleito quatro anos depois. Em 2022, fez seu retorno triunfal e, agora, contrariando todas as pesquisas que previam sua derrota, venceu o segundo turno contra Flávio Bolsonaro. 

Tudo isso faz de Lula um político com uma trajetória excepcional no Brasil e na América Latina, mas o processo deixa outros registros:

  • Declínio na abstenção

Entre o primeiro e o segundo turno, a abstenção caiu de 21,1% para 19,2%, sendo o nível mais baixo registrado desde as eleições de 2006 e representando aproximadamente três milhões de cidadãos, a maioria dos quais votou em Lula.

  • Virada sem precedentes

Pela primeira vez na história do Brasil, o candidato que perde no primeiro turno vence no segundo.

Desde que o país retornou à democracia em 1985, houve 10 eleições, oito das quais foram para o segundo turno (Lula participou de cinco). Em nenhuma delas o candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu reverter a desvantagem no segundo.

  • Campanha digital

Em uma ação sem precedentes, um candidato de esquerda no Brasil lançou uma campanha digital de grande sucesso. O mentor da estratégia foi o deputado federal André Janones, que organizou o "Exército do Lula" para mobilizar milhões de apoiadores que trabalharam incansavelmente e diariamente para fortalecer a presença online, publicando conteúdo e disseminando mensagens, hashtags, fotos, vídeos e memes em apoio ao candidato do PT.

  • Mais votos

As eleições de 2022 marcaram o retorno triunfal de Lula à presidência, cargo que havia deixado em 2010. No segundo turno contra Jair Bolsonaro, ele venceu com 60,3 milhões de votos (50,9%). Quatro anos depois, seu apoio foi ainda maior, com uma vitória por 64,2 milhões de votos (51,7%).

  • Freio na direita

A virada de Lula encerra um calendário eleitoral presidencial na América Latina em que, até então, só haviam sido registradas vitórias de políticos conservadores e aliados dos EUA. Em fevereiro, Laura Fernández venceu na Costa Rica; três meses depois, Keiko Fujimori venceu no Peru; e, em agosto, Abelardo de la Espriella saiu vitorioso na Colômbia.

A onda conservadora já havia se intensificado nos últimos anos com a ascensão ao poder de Daniel Noboa (Equador), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Nasry Asfura (Honduras), e antes disso, com Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador).