A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato não consecutivo consolida e fortalece a posição da China com importante aliado, além de reforçar o protagonismo do Brasil na disputa entre Washington e Pequim, especialmente devido às suas vastas reservas de terras raras, as segundas maiores do mundo, segundo o South China Morning Post.
A vitória de Lula foi saudada pelas autoridades chinesas. O porta-voz da chancelaria, Gou Jiakun, afirmou que seu país continua disposto a trabalhar com o gigante sul-americano para "promover ainda mais a construção de uma comunidade de China e Brasil com um futuro compartilhado", enquanto especialistas acreditam que o fato de o maior parceiro comercial da China na região da América Latina e do Caribe permanecer nas mãos de um líder experiente e comprometido com o não alinhamento é positivo para os interesses chineses.
"Garantir as melhores condições possíveis para o Brasil"
Na opinião de André Pagliarini, professor adjunto de história e estudos internacionais da Universidade Estadual da Louisiana (EUA), não se esperam mudanças drásticas na relação sino-brasileira e, com base nisso, Lula promoverá o posicionamento do Brasil no mercado de terras raras em cooperação com Pequim, sem que isso signifique a impossibilidade de se chegar a acordos com os EUA em um setor tão estratégico.
Para Pagliarini, a linha de ação coerente seria Lula "aproveitar os interesses chineses e americanos para garantir as melhores condições possíveis para o Brasil", uma posição que contrasta abertamente com a de seu rival derrotado, Flávio Bolsonaro.
Ele destacou que Bolsonaro tendia a ver a China como um "inimigo ideológico" e demonstrava um alinhamento explícito com a Casa Branca, o que se traduziu no apoio aberto do presidente Donald Trump à sua candidatura após a vitória no primeiro turno.
Em contraste, observou, Lula enfatizou em seu discurso de vitória que o Brasil "não será quintal de ninguém".
Jiang Shixue, professor da Universidade Normal de Hangzhou (China) e especialista em América Latina, acredita que a cooperação entre a China e o Brasil se fortalecerá, principalmente em projetos de alta tecnologia.
Ele também considerou que as constantes afrontas de membros do governo americano "feriram os sentimentos de Lula" e que, "em certa medida, isso está impulsionando o Brasil a desenvolver suas relações com a China".