O representante permanente dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, teve um acesso de fúria contra o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e outro integrante da delegação de Cuba, quando os dois se levantaram diante do púlpito de onde ele fazia um discurso na Assembleia Geral da organização, em Nova York.
"Senhor presidente, este indivíduo — Rodríguez — precisa se afastar deste púlpito. Ele não vai me intimidar nos EUA. Afaste-se! Afaste-se, embaixador! Saia! Isso é um problema. Ele não vai me intimidar. Você entende com quem está lidando? Afaste-se!", esbravejou Waltz, visivelmente alterado.
Como os funcionários cubanos não atenderam à sua exigência, o diplomata americano alegou que era o "representante dos EUA" e voltou a exigir que eles deixassem a área próxima ao púlpito. "Afaste-se! Afaste-se, embaixador! Saia! Isto não é Havana", gritou, enquanto a sessão era suspensa.
"Prepotência e arrogância"
Posteriormente, Rodríguez afirmou no X que Washington voltou a aproveitar o palco da ONU, onde será realizada a votação de uma resolução que exige o fim imediato e incondicional do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a seu país, para "justificar a agressão econômica" e o "cerco energético criminoso" contra a população cubana.
"O governo dos EUA mente de forma grosseira e permanente na Assembleia Geral da ONU. Seu representante permanente nas Nações Unidas — Michael Waltz —, com sua prepotência e arrogância, esquece que está nas Nações Unidas, e não no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, em uma unidade de boinas-verdes ou em um grupo do Signal, onde demonstrou repetidamente sua incompetência e incapacidade", diz a publicação.
O diplomata cubano afirmou ainda que as declarações de Waltz "fazem parte do circo midiático, das ameaças e da campanha eleitoral às quais o governo americano destina vultosos recursos financeiros e humanos".
Pressões sem precedentes
Rodríguez acusou a Casa Branca — apresentando documentos — de usar seu aparato diplomático e até mesmo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para pressionar delegações e até chefes de Estado, com o objetivo de obrigá-los a se abster de apoiar a resolução que exige o fim imediato das medidas coercitivas unilaterais contra a ilha.
"A imensa maioria dos Estados-membros da ONU manterá seu apoio à resolução. A comunidade internacional tem consciência da natureza criminosa do bloqueio. Está ciente do cruel e contínuo endurecimento das medidas neste ano. Conhece a aplicação de sanções secundárias e o uso da intimidação para proibir que governos e empresários de qualquer parte do mundo comercializem com Cuba e mantenham relações com o país", escreveu o alto funcionário no X naquele mesmo dia.