Passageiros que sobreviveram a colisão de trens em Urda, Toledo, na Espanha, que, segundo relatórios iniciais, deixou pelo menos 64 mortos e dezenas de feridos, descreveram as cenas de horror que testemunharam desde que um trem se chocou contra outro.
"Todo mundo saiu voando", disse um passageiro chamado Jesús em entrevista à rádio Cadena Ser, explicando que a colisão foi tão repentina que quase não houve tempo para entender o que estava acontecendo.
"Bati no assento da frente, a partir daí percebemos que tinha havido um descarrilamento. Tentamos ajudar as pessoas que estavam pior, mas o trem estava inclinado na via e tínhamos um pouco de medo de que virasse e fosse pior", acrescentou.
Enquanto Jesús falava com um jornalista ao telefone, segurava o soro de um dos feridos. "Estou ajudando um pouco. Há muitos feridos e mortos. Precisamos de muita gente aqui, há pessoas passando muito mal (...) é uma situação de emergência absoluta (...). Vi imagens que não vou esquecer: um menino com o braço amputado andando, corpos deitados no chão que, ao toque, estavam mortos", acrescentou.
Miguel, outro passageiro, descreveu o acidente como "um estrondo gigantesco, uma pancada enorme", que durou cerca de 10 segundos. "Ficamos meio capotados e saímos pelas janelas e portas", disse.
"Pela janela, vi um dos vagões que capotou e ficou completamente destruído pelo fogo; um dos carros tem uma linha férrea o atravessando, que eu acho que é o carro que estava na minha frente", acrescentou Patricia, uma sobrevivente do acidente.
Outros passageiros conseguiram contactar suas famílias para avisar de que estavam bem. Alberto Sotillos contou na televisão que seu cunhado o alertou que havia "muitos mortos" e que a situação era "horrível".
Ele também disse que o acidente foi "brutal" e que os sobreviventes estavam tentando se ajudar. "Havia incêndios e chamas que os passageiros tentaram apagar com o que tinham e o que podiam", acrescentou.
María, filha de um dos passageiros, revelou que seu pai ligou para ela assim que pôde para avisar que estava vivo. "Me disse que as pessoas ao redor dele estavam em situações diversas: algumas estavam como ele, algumas não tinham nada, algumas tinham ferimentos sérios, algumas tinham sangue", afirmou ela.