O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou a instalação de minas, por parte das forças de Kiev, nas estradas de acesso à cidade russa de Alyoshki, situada na margem esquerda do rio Dnepr, na província russa de Kherson.
Putin ressaltou que, ao minar os acessos à localidade, o regime de Kiev estava provocando o que, na prática, constitui "uma catástrofe humanitária".
"Justamente nestes momentos —nos próximos dias, entre hoje e amanhã— está prevista uma operação, que, aliás, conta com o apoio da primeira-dama dos Estados Unidos, destinada a levar ajuda especificamente à população civil", acrescentou, indicando que a situação pela qual Alyoshki passa "vinha se formando há muito tempo".
"Mas também estamos trabalhando nisso, assim como estamos tratando de questões relacionadas a uma possível resolução pacífica da própria crise ucraniana", concluiu o presidente russo.
Situação crítica
Isolada de suprimentos essenciais e sob ataques diários, a cidade enfrenta uma grave situação de emergência devido às constantes ofensivas ucranianas e, conforme denunciou a ouvidora da Rússia, Yana Lantratova, por causa do "bloqueio criado artificialmente pelas Forças Armadas da Ucrânia".
A própria primeira-dama dos EUA resumiu a magnitude da tragédia, após ela mediar conversas entre Moscou e Kiev para conseguir um cessar-fogo localizado. "A situação em Alyoshki é desesperadora. Alyoshki é uma cidade em guerra na linha de frente, à beira do desastre. A população que permanece lá é composta principalmente por idosos que precisam urgentemente de atendimento médico, medicamentos, alimentos e água potável", denunciou Melania.
O Ministério da Defesa russo informou que "as forças ucranianas estão utilizando drones para posicionar minas remotamente nas vias de acesso, com o objetivo de impedir a evacuação de civis e bloquear a entrega de alimentos, medicamentos e bens essenciais na cidade".
Embora o órgão russo indique que as vias sofrem bombardeios diários de artilharia e ataques com drones há mais de dois anos, o cerco tornou-se total a partir de maio de 2026, quando as contínuas ofensivas ucranianas impossibilitaram a entrada de suprimentos.
"Nem comida, nem água, nem lenha"
Mantimentos não chegam a Alyoshki desde maio de 2026, relataram moradores ao correspondente de guerra da RT, Filipp Prokudin. Em meio à escassez de alimentos, alguns habitantes locais sobrevivem consumindo conservas caseiras.
"Nem comida, nem água, nem lenha para o inverno... Você vai dormir e fica pensando se amanhã vai comer ou não, porque hoje você não comeu. E amanhã também não come: fazer o quê, azar o seu", explicou um morador à RT.
As Forças Armadas da Ucrânia instalam minas nas estradas usando drones. Por dia, são lançadas entre 7 e 36 minas em diferentes trechos da via, informou o chefe do distrito municipal de Alyoshki, Ruslan Khomenko. Kiev ataca, inclusive, aqueles que transportam ajuda humanitária.
A cidade está constantemente sob ataques de drones, acrescentou um dos moradores. "Nossa casa foi atingida três vezes. As janelas e portas foram arrancadas. À noite, você tenta dormir... e tudo começa a zumbir: pronto, lá está aquele maldito drone", relatou.