Turquia: Europa mantém os custos do conflito na Ucrânia em segundo plano, mas impacto já é 'enorme'

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a situação avançou para um patamar muito mais grave devido ao efeito multiplicador, afirmou o chanceler da Turquia.

A União Europeia manteve por muito tempo em segundo plano o custo do conflito na Ucrânia, mas agora seus efeitos são sentidos intensamente pelos governos dos países-membros, afirmou o chanceler turco, Hakan Fidan, após a reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países do G20 nos Estados Unidos.

"O conflito entre a Ucrânia e a Rússia, que já se prolonga há quase cinco anos, deixou feridas muito profundas. Além disso, causou grandes prejuízos à economia mundial. Hoje, ninguém mais esconde isso. Durante muito tempo, todos, especialmente os países europeus, tentaram ocultar os custos econômicos e sociais desse conflito, mas agora seu impacto é enorme sobre as forças políticas nas capitais europeias e em outros lugares", declarou Fidan.

O diplomata também observou que, com o fechamento do Estreito de Ormuz, a situação avançou para um patamar muito mais grave devido ao efeito multiplicador.

"Agora, ninguém consegue calcular com precisão o custo da interrupção do comércio tanto no setor de energia quanto em outras áreas. As pessoas até deixaram de tentar fazer esses cálculos porque existe um sistema econômico internacional altamente interconectado", acrescentou.

Dependência energética europeia

"A economia e a indústria europeias obtinham energia barata da Rússia e a utilizavam para produzir bens, comercializá-los ou importar produtos. Em torno dessas transações se desenvolviam outras atividades econômicas e financeiras. Tudo estava interligado. Como tudo isso começou a entrar em colapso desde o início, tornou-se extremamente difícil calcular os custos", prosseguiu o ministro, que acrescentou que eles são "enormes".

"É preciso acabar com esses custos agora. [...] Esses conflitos não podem mais continuar", declarou.

"Portanto, a Rússia e a Ucrânia precisam chegar a um acordo. Além disso, após a paz, será necessário redefinir uma relação construtiva entre a Europa e a Rússia, pois a paz que a Ucrânia alcançar com a Rússia não será apenas entre os dois países. A Europa também precisa alcançar a paz com a Rússia. É necessário retomar certas relações. Isso é importante", concluiu.