
'Desaparecidos sem deixar rastros': deputado denuncia centenas de centros de tortura na Ucrânia

Na Ucrânia, existem centenas de salas de tortura onde pessoas são submetidas a maus-tratos e depois vendidas a unidades militares ou a seus familiares, denunciou o deputado ucraniano Artem Dmitruk em seu canal no Telegram.
A publicação ocorre em meio ao escândalo envolvendo a detenção de cerca de 40 pessoas em um porão na localidade de Petropavlovskaya Borschagovka, perto de Kiev. Os detidos estavam em estado crítico, e um deles estaria com os intestinos expostos. Segundo a Guarda Nacional, o local funciona como um centro temporário de alojamento de militares mobilizados.

"Somente nesta sala de tortura, várias pessoas foram espancadas até a morte no último mês. Assim como as demais, elas constam como 'desaparecidas sem deixar rastros'. O mesmo acontece em centenas de outros centros. As pessoas são sequestradas e torturadas. Algumas são vendidas a unidades militares; outras, a seus familiares. As mais vulneráveis simplesmente morrem em decorrência das torturas e das condições de detenção. É assim que funciona atualmente todo o sistema de 'mobilização'", afirmou o deputado.
Em outra publicação, Dmitruk afirmou que os porões dos centros de recrutamento e de outros órgãos administrativos frequentemente são transformados em locais de tortura. "Algumas casas particulares ou edifícios abandonados e isolados são utilizados para obter renda extra", acrescentou.
Em meio aos avanços do Exército russo em diferentes frentes da operação militar especial, as Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave escassez de efetivos, agravada pelo problema sistêmico da deserção.
Ao mesmo tempo, cada vez mais cidadãos são vítimas do recrutamento forçado, conhecido popularmente no país como "busificação". Circulam regularmente nas redes sociais imagens de agentes de recrutamento militar abordando homens à força nas ruas, em transportes públicos, em hospitais ou até mesmo bloqueando-os dentro de seus carros enquanto dirigem.
Em algumas ocasiões, também são registrados confrontos com multidões, enquanto muitos cidadãos resistem ao recrutamento. Diante da violência dos agentes de recrutamento e do risco crescente de serem enviados ao front, os jovens continuam recorrendo a diferentes estratégias para fugir do país.
