Ironia capitalista: sede do Partido Comunista da Itália vira hotel cinco estrelas

O edifício comprado por Palmiro Togliatti em 1946, no centro de Roma, agora abriga o luxuoso complexo hoteleiro Thompson Rome com 69 quartos.

A antiga sede do Partido Comunista Italiano, no centro de Roma, encontrou um destino inesperado: se tornou um hotel de cinco estrelas, informou a imprensa local.

O edifício, adquirido em 1946 por Palmiro Togliatti, o histórico secretário-geral do partido, por 30 milhões de liras (aproximadamente US$ 133 mil na época), agora abriga o luxuoso complexo hoteleiro Thompson Rome, que foi inaugurado com 69 quartos e um terraço panorâmico.

O edifício da década de 1940, onde trabalharam líderes comunistas, incluindo Enrico Berlinguer, que saudou a multidão da varanda após o bom desempenho do Partido Comunista nas eleições regionais e locais de 1975, teve seus escritórios e salas de reunião convertidos.

Ele conserva sua entrada monumental com a escultura "Parede de Medidas", do escultor abstrato italiano Giò Pomodoro, um símbolo histórico do movimento, e um busto de Antonio Gramsci, fundador e teórico do partido.

O palácio de 8 mil metros quadrados é localizado a poucos passos da Piazza Venezia e a curta distância do Fórum Romano, do Panteão e do Coliseu. Durante a renovação, elementos originais, como uma imponente escadaria de mármore, foram restaurados, e uma parede escultural e um pavimento incorporado de Pomodoro foram recuperados e agora integrados ao hotel.

Perto da Crypta Balbi, o antigo pórtico do Teatro de Balbo, que hoje abriga o Museu Nacional Romano e é um testemunho da estratificação urbana da cidade ao longo dos séculos, o espaço reúne obras de artistas ligados à Escola Romana e à Escola da Piazza del Popolo ao lado de peças contemporâneas que refletem a abertura cultural de Roma, incluindo obras do pintor Francesco Del Drago, do artista Giangaetano Patanè e do pintor e gravador Guido Strazza.