A vitória democrata na Câmara e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato provocou reações diversas entre os caciques do capital especulativo americano, de acordo com uma compilação da emissora CNBC.
O empresário britânico Richard Branson, fundador do conglomerado Virgin Group, disse estar "envergonhado" pelos bilhões gastos por empreendedores do setor de tecnologia e gestores de fundos de cobertura, pedindo uma reforma no financiamento de campanhas eleitorais.
O americano Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, ecoou o mesmo posicionamento ao defender que se "retirasse o dinheiro da política", contra o gasto de "quantias exorbitantes para manter palhaços autoritários no poder".
Já o investidor Alex Soros, filho do magnata George Soros e presidente da Open Society Foundations*, comemorou o resultado e escreveu que o resultado foi algo "o país nunca havia visto antes". Sua família contribuiu com mais de US$ 100 milhões para candidaturas democratas.
*A Open Society Foundations é uma organização proibida na Rússia.
Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, foi o maior doador de financiamento declarado: US$ 474 milhões no total, sendo US$ 224 milhões no estado do Texas, onde muitas de suas empresas estão sediadas, contra a campanha do senador democrata James Talarico.
A campanha de Talarico, através de pequenos doadores individuais, superou o financiamento direto à campanha de seu oponente republicano Ken Paxton, que foi mais beneficiado pelos Super PACs — comitês externos que não podem ser associados a nenhuma campanha diretamente, mas que não têm limites ao volume de doações.
Talarico derrotou Paxton, tornando-se o primeiro senador democrata no Texas em 38 anos, em uma virada azul que atingiu a Câmara estadual e o governo do estado. Mais tarde, Musk ironizou em seu perfil na rede X que seus "lasers espaciais" de interferência eleitoral falharam desta vez.
Um possível freio para a IA?
O gestor de fundos de cobertura Bill Ackman, do fundo Pershing Square, alertou que a inteligência artificial não pode ser interrompida, pois os Estados Unidos perderiam sua vantagem tecnológica, em meio a temores de que os democratas imponham limites à construção de centros de dados.
O empreendedor singalês-canadense Chamath Palihapitiya, investidor e fundador da empresa de investimento Social Capital, destacou que a paralisação da construção desses centros seria suficiente para prejudicar o setor de IA.
Para o investidor e podcaster Brad Gerstner, da Altimeter Capital, e o analista Dan Ives, o aumento da influência democrata implicará no impedimento de construção de diversas destas instalações. "Alguns investidores verão isso com bons olhos, outros verão como um aumento de risco", avaliou Ives. "Estimamos que 10% dos data centers não serão construídos."
O presidente da multinacional de semicondutores AMD, a sino-americana Lisa Su, defendeu uma situação vantajosa para todos no setor de IA após as eleições, indicando que a mudança reflete a necessidade de uma nova abordagem na promoção da infraestrutura diante da sociedade civil.
"Precisamos garantir que a proposta de valor seja clara para todas as comunidades locais que irão hospedar um data center", afirma.
No dia seguinte à eleição, o mercado de ações comemorou o resultado. Os principais índices, como o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq, subiram acentuadamente: o Dow ganhou 1.569 pontos (3%), o S&P 500 subiu 1,6% e o Nasdaq ganhou 1,4%.
Os investidores receberam bem a redução da incerteza e o fato de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter reconhecido a derrota para os democratas. As grandes empresas de tecnologia registraram os maiores ganhos, adicionando mais de US$ 750 bilhões à sua capitalização de mercado.