O presidente do Senado do Paraguai, Basilio Núñez, pediu na rede social X a renúncia do presidente Santiago Peña em meio ao escândalo que tomou conta do país em razão da crise bancária que levou à insolvência do Banco Ueno.
"Como presidente do Congresso Nacional, não ficaremos do lado daqueles que saqueiam os recursos públicos e privados, os fundos dos poupadores e o dinheiro dos aposentados", afirmou o político.
A Câmara dos Deputados realizará uma sessão para analisar o pedido de impeachment apresentado pela oposição e por 5 parlamentares dissidentes do Partido Colorado, ao qual Peña pertence desde 2016.
Núñez manifestou disposição para apoiar o pedido de impeachment caso o presidente não renuncie ao cargo.
"Pedimos a renúncia do presidente Santiago Peña ou, caso isso não aconteça, apoiamos o impeachment para restabelecer a institucionalidade da República e proteger os poupadores", acrescentou o presidente do Senado em sua publicação.
O pedido de impeachment contra Peña ainda precisa superar um obstáculo: obter quórum suficiente para dar andamento à acusação.
Na véspera, o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, convocou uma sessão enquanto os protestos dos afetados pela quebra do banco continuam nas ruas do Paraguai e aumenta a pressão sobre o presidente.
Antes de iniciar a sessão da Câmara dos Deputados, Latorre, integrante do mesmo partido de Peña, afirmou que convocará uma sessão extraordinária para analisar a possibilidade de abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Além disso, ele garantiu que o chefe de Estado "está convencido de sua inocência" e, por isso, não considera renunciar ao cargo.
Mais cedo, o próprio ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que lidera o partido responsável por levar Peña ao poder, manifestou disposição de apoiar o instrumento do impeachment. Enquanto isso, as instituições financeiras do país fazem apelos para evitar uma corrida bancária.
Por que querem processar Peña?
O principal problema para o presidente é que uma investigação jornalística revelou que a Ueno Holding Saeca, empresa ligada ao Banco Ueno, pagou, pelo menos até março de 2026, a quantia astronômica de 30 bilhões de guaranis (cerca de US$ 4,95 bilhões) a uma empresa na qual Santiago Peña figurava como acionista.
Além disso, quando seu governo estava apenas começando, Peña nomeou Carlos Carvallo, um ex-diretor da Financiera Ueno, para o cargo de presidente do Banco Central do Paraguai (BCP). A partir daquele momento, Carvalho deveria supervisionar se seu antigo empregador cumpria as leis financeiras — o que não ocorreu.
O caso também envolve o Instituto de Previdência Social (IPS), que mantinha cerca de US$ 345 milhões investidos no Banco Ueno por meio de certificados de depósito e títulos financeiros.
Esses investimentos estão entre os pontos questionados pelos deputados. Além disso, o banco era responsável por administrar o pagamento das aposentadorias de aproximadamente 32 mil beneficiários do IPS embora esses pagamentos sejam financiados pelas contribuições dos trabalhadores e empregadores, e não pelos investimentos financeiros da instituição.