Prefeito acusa médicos de 'namorar' durante plantão e os expulsa de hospital em Barreiros

Carlinhos da Pedreira acusou dois plantonistas de dormir e "namorar" enquanto pacientes aguardavam atendimento; entidades médicas criticaram a exposição dos profissionais.

O prefeito de Barreiros (PE), Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), expulsou dois médicos do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque durante uma inspeção surpresa, informa o g1 Pernambuco.

Imagens mostram o gestor acusando os profissionais: "Um absurdo o que vocês estão fazendo. Meus Deus do céu! A emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo, namorando? É um absurdo. Vou botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital". Em seguida, ele chama os dois de "vagabundos".

Em participação em um podcast da Rádio Litoral FM Barreiros, o prefeito afirmou que havia chegado de Recife por volta das 22h e decidido verificar o funcionamento do hospital.

Segundo o prefeito, ele encontrou a recepção cheia, embora três médicos estivessem de plantão. Ao verificar as salas, teria encontrado dois profissionais dormindo no mesmo quarto, enquanto apenas um atendia os pacientes.

Após o episódio, a prefeitura anunciou o rompimento do contrato com a Associação João Paulo II, responsável pela administração do hospital.

A Secretaria Municipal de Saúde assumirá temporariamente a gestão da unidade, enquanto é realizada uma licitação para contratar uma nova organização.

Entidades médicas criticam abordagem

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) condenou a exposição pública dos médicos e afirmou que eventuais problemas no atendimento devem ser tratados pelos canais institucionais e legais.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também criticou a conduta do prefeito.

A entidade ressaltou que a presença de uma médica e um médico em uma sala de repouso não justifica insinuações de natureza íntima, destacando que as imagens não comprovam a conduta sugerida pelo prefeito.

Segundo relatos recebidos, os profissionais descansavam após 12 horas de atividade assistencial.

O sindicato acrescentou que o repouso durante o plantão não caracteriza, por si só, abandono do serviço, desde que a continuidade do atendimento seja garantida.