Quem é Pedro Alliana, que assume presidência do Paraguai após saída de Peña?

O novo presidente paraguaio tem 52 anos e pertence à Associação Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado.

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assumiu o governo após o parlamento paraguaio destituir Santiago Peña da chefia de Estado em meio ao escândalo financeiro do Ueno Bank — uma situação que afeta cerca de três milhões de correntistas e que provocou uma crise social e política no país sul-americano.

A ascensão de Alliana à Presidência atende a um preceito constitucional. Segundo o artigo 234 da Constituição do país, em caso de renúncia, destituição ou morte do Presidente da República, o vice-presidente deve assumir o cargo automaticamente para completar o período constitucional.

Alliana, que prestou juramento perante o Congresso como novo presidente, deverá completar o mandato até 15 de agosto de 2028. Ao assumir o poder, deixará vago o cargo de vice-presidente. Como restam menos de dois anos do período de governo, o próprio artigo 234 estabelece que o Congresso elegerá o novo vice-presidente por maioria absoluta de seus membros.

Alliana, que pertence à Associação Nacional Republicana (ANR) — mais conhecida como Partido Colorado —, assume a chefia do Estado após a destituição de Peña em um processo de impeachment no Parlamento no qual 44 senadores votaram a favor da medida (houve uma ausência). Essa decisão impede que Peña assuma o cargo de senador vitalício e usufrua das prerrogativas de imunidade parlamentar a ele associadas, conforme estabelece o artigo 189 da Constituição.

O novo mandatário paraguaio tem 52 anos e nasceu no departamento de Ñeembucú, localizado no sudoeste do Paraguai, na fronteira com a Argentina. O político possui uma trajetória de mais de duas décadas durante as quais sempre integrou o conservador Partido Colorado.

Sua ascensão ocorre após atritos com o próprio líder de seu partido, o ex-presidente Horacio Cartes — com quem ele retomou contato em meio ao escândalo da crise bancária. Alliana é graduado em Relações Internacionais pela Universidade Autônoma San Sebastián; ele precisou apresentar seu diploma à imprensa este ano para refutar rumores de que o documento teria sido obtido de forma irregular.

Vida e tragédia familiar

Antes de ingressar na arena política, Alliana trabalhou como comerciante em sua cidade natal, onde chegou a se candidatar a prefeito, embora não tenha vencido o pleito. Posteriormente, candidatou-se e foi eleito governador de Ñeembucú.

Sua trajetória política prosseguiu como deputado por seu departamento ao mesmo tempo em que ele ascendia na estrutura do Partido Colorado — sendo visto, contudo, como um "outsider", assim como seu mentor, o ex-presidente Horacio Cartes, que atualmente lidera a legenda.

Em 2018, Alliana foi diagnosticado com leucemia e submetido a tratamento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele afirmou ter superado a doença em 2019; no entanto, em 2021, precisou passar por um novo ciclo de quimioterapia.

O político é casado com a também deputada Fabiana María Souto e tem quatro filhos: Valeria, Rodolfo, Paz e a primogênita Montserrat, fruto de um relacionamento anterior com Nélida Noemí Encina.

Seu círculo íntimo tem sido alvo de questionamentos devido aos cargos que vários deles ocuparam no Estado, incluindo sua primogênita. Apesar das acusações de nepotismo, as denúncias foram arquivadas pelo Ministério Público, que considerou que os fatos não configuravam infração penal segundo o ordenamento jurídico vigente.

Em 2004, o político viveu uma tragédia com o sequestro e posterior assassinato de seu irmão, Rodolfo Alliana, que foi encontrado morto nas águas do rio Paraguai a cerca de 11 quilômetros da cidade de Pilar. O corpo apresentava várias marcas de disparos de arma de fogo e estava preso a um objeto metálico; o crime ocorreu após o pagamento do resgate. Três pessoas foram detidas pelo caso e parte do valor pago como resgate foi recuperada, segundo informações do jornal Última Hora.