Ex-presidente Gustavo Petro é acusado de firmar contratos públicos em troca de sexo; ele nega

Divulgação de vídeo por parte de uma das denunciantes reacende o caso investigado pela Procuradoria, pela Inspetoria e pela Suprema Corte da Colômbia.

O ex-presidente colombiano Gustavo Petro é acusado de ter usado contratos financiados com dinheiro público para obter relações sexuais com mulheres jovens quando era senador e depois presidente, segundo relatou o Diario Libre. Ele nega e diz que as denúncias são uma intromissão em sua vida privada. As acusações são investigadas por órgãos judiciais e disciplinares do país e voltaram à tona quando uma das denunciantes divulgou um vídeo.

Deicy Alejandra Jiménez, de 26 anos, afirma que Petro a ajudou a conseguir contratos em instituições estatais em troca de encontros sexuais e que outras 30 ou 40 mulheres teriam recebido benefícios semelhantes. Em entrevista à jornalista Vicky Dávila publicada pela revista Semana, ela disse ter conhecido o político em 2019 por meio de uma plataforma de conteúdo adulto quando ele era senador. O vídeo, de 54 segundos, mostra os dois em um encontro privado e, segundo o relato, indicaria que havia uma relação anterior. Jiménez diz que o publicou para provar suas declarações e pediu proteção para si e para sua família. Sua nova advogada, Dina Luz Malo, afirmou que o material será entregue às autoridades.

A revista Cambio examinou o sistema oficial de contratação pública e encontrou dez contratos de Jiménez com órgãos do Estado somando 133,5 milhões de pesos colombianos. Três foram assinados em 2021 e no início de 2022, quando Petro ainda era senador, e sete entre agosto de 2022 e agosto de 2026. Entre os contratantes estão o Senado, o Ministério do Interior e a Superintendência de Vigilância e Segurança Privada. A congressista María José Pizarro, que ocupava a primeira vice-presidência do Senado quando um dos contratos foi assinado, rejeita qualquer irregularidade.

A Inspetoria-geral do país abriu uma investigação criminal em 23 de outubro. A Procuradoria, por sua vez, abriu uma apuração prévia contra funcionários ainda não identificados, e a Suprema Corte aceitou para análise uma denúncia envolvendo Petro e Pizarro. Jiménez prestou depoimento ao tribunal em 29 de outubro.

Em nota publicada em 25 de outubro, Petro afirmou: "Jamais entreguei um contrato em troca de favores sexuais". Ele atribuiu as denúncias a uma operação política de setores ligados ao atual governo sem apresentar provas. Até a publicação do texto original, não havia resposta dele sobre o vídeo.