
Enem 2026 tem recorde de alunos que concluíram o ensino médio inscritos, mas desafio é garantir que compareçam

O Enem 2026 conta com 2,3 milhões de alunos inscritos que concluíram o ensino médio, a maior participação desse grupo desde 2009, quando o exame ganhou o formato atual, segundo informou a Folha de S.Paulo. O aumento vem da inscrição automática dos alunos do 3º ano da rede pública adotada pelo Ministério da Educação (MEC) e da abertura de 10 mil novos locais de prova. O desafio agora é fazer com que esses jovens não se ausentem do exame.

Com a mudança, 47% dos mais de 5,05 milhões de inscritos estão no 3º ano. O maior índice já registrado foi de 38% em 2022 e também em 2025. Entre os que concluíram o ensino médio, 87,3% estudam em escolas públicas. O MEC quer incluir o Enem no Saeb, o sistema nacional de avaliação da educação básica, que é aplicado a cada dois anos. O exame, realizado todo ano, passa a servir também para avaliar a qualidade do ensino. Este ano será um teste, e a participação se torna obrigatória no próximo.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse esperar que 70% dos alunos que concluíram o ensino médio inscritos compareçam. Em 2025, a presença dos alunos da rede pública foi de 55%, e a avaliação só é considerada se chegar a pelo menos 80%. Especialistas ouvidos pela Folha dizem que a inscrição automática ajuda, mas não garante a presença. Para Maria Inês Fini, criadora da primeira versão do Enem, estados poderiam criar incentivos, como bônus no boletim escolar. Andressa Pellanda, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, lembra que a abstenção gira em torno de 25% e que uma alta não indicaria fracasso da medida, pois o número absoluto de presentes tende a crescer.
Para estimular a presença, o MEC pagará R$ 200 extras do programa Pé de Meia aos alunos que comparecerem aos dois dias de prova. Em São Paulo, cerca de 70 mil alunos da rede estadual em 500 municípios terão transporte gratuito nos dias do exame. O MEC não divulga o custo da abstenção, mas em 2020, quando 51,5% dos inscritos faltaram, o governo estimou um desperdício de R$ 332,5 milhões.
