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Chocolate em risco de extinção? Preços recordes do cacau leva fabricantes a buscarem alternativas

Em dezembro, a Mondelez International, fabricante dos biscoitos Oreo, foi uma das empresas que investiram US$ 4,5 milhões na start-up Celleste Bio, especializada em produzir substitutos do cacau a partir de células.
Chocolate em risco de extinção? Preços recordes do cacau leva fabricantes a buscarem alternativasGettyimages.ru / Jack Andersen

O aumento nos preços do cacau tem levado os fabricantes de chocolate a buscar ingredientes alternativos para a produção de seus produtos, informou o Financial Times na quinta-feira.

Em dezembro, a Mondelez International, fabricante dos biscoitos Oreo, foi uma das empresas que investiram US$ 4,5 milhões na start-up Celleste Bio, especializada em produzir substitutos do cacau a partir de células.

Essa medida ocorre em um contexto de preços recordes para o cacau. Na semana passada, o preço da tonelada ultrapassou US$ 12.500 pela primeira vez, estabelecendo um recorde histórico para a commodity.

"Se não mudarmos a forma como obtemos o cacau, não teremos chocolate em duas décadas", afirmou Michal Beressi Golomb, executivo-chefe da Celleste Bio, ao FT. Segundo ele, o uso de cacau cultivado em células permitirá que o setor "não dependa mais da natureza".

Diversas empresas do setor já estão utilizando produtos alternativos em sua produção. A finlandesa Fazer, por exemplo, lançou no ano passado uma edição limitada de "chocolate" feito com centeio maltado e óleo de coco, substituindo o cacau.

Por que os preços subiram tanto?

A origem do aumento nos preços do cacau, conforme reportado pela Bloomberg, está na escassez causada por doenças nas plantas e condições climáticas extremas na África Ocidental, principal região produtora da matéria-prima.

Além disso, os coletores de cacau da Costa do Marfim exigiram preços mais altos pelo produto, uma vez que 80% deles vivem abaixo da linha da pobreza.

Em março, analistas do FT já haviam alertado que a alta nos preços afetaria os fabricantes de chocolate.

"Se ainda não o fizeram, limitaram as perdas, diminuindo o tamanho das barras e aumentando os preços", afirmou Paul Joules, analista de cacau do Rabobank.