Governo dos EUA exige cassação de títulos conquistados por atletas trans

O órgão alega que a medida visa corrigir "registros históricos" e garantir "igualdade para atletas femininas", após mudanças nas políticas esportivas.

O Departamento de Educação dos EUA enviou uma carta à Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA) e à Federação Nacional de Associações de Escolas Secundárias Estaduais (NFHS) solicitando que "devolvam às atletas femininas os recordes, títulos, prêmios e reconhecimentos concedidos ilegalmente a homens biológicos que competiram em categorias femininas".

Segundo a declaração, a NCAA e a NFHS foram instadas a "revogar registros, títulos, prêmios e reconhecimentos que foram concedidos indevidamente a homens biológicos que competiram de forma injusta contra meninas e mulheres no esporte".

"A correção dos registros está totalmente alinhada com a nova política da NCAA de não permitir a participação de homens em categorias esportivas femininas", afirmou o comunicado.

"Graças à liderança corajosa do presidente Donald Trump, homens não poderão mais competir em esportes femininos, independentemente de sua identidade, e a NCAA mudou, com razão, sua postura sobre práticas discriminatórias contra atletas mulheres", declarou Candice Jackson, vice-conselheira geral do Departamento.

Ela acrescentou que "o Departamento de Educação, sob a liderança de Trump, fará tudo ao seu alcance para corrigir essa injustiça e proteger as conquistas das atletas femininas".

A nadadora norte-americana Riley Gaines ressaltou que, nos últimos quatro anos, "as mulheres têm lutado por igualdade de condições e sucesso, mas seus apelos foram ignorados". Ela afirmou que "devolver as honras esportivas a seus legítimos donos é um passo importante para restaurar a responsabilidade, a integridade e o bom senso".

Primeira vitória de uma nadadora transexual

Em março de 2022, a nadadora Lia Thomas tornou-se a primeira mulher transgênero a vencer um campeonato da NCAA. Em junho, a federação internacional estabeleceu uma regra determinando que atletas transgêneros devem concluir sua transição antes da puberdade para competir em eventos femininos.

A federação norte-americana exigiu que essas atletas reduzissem seus níveis de testosterona por pelo menos 36 meses e se submetessem a uma comissão especial. Thomas recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), mas a organização decidiu que ela não poderia competir em eventos femininos, encerrando o caso.

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.