A empresa norte-americana de biotecnologia Life Biosciences anunciou, nesta terça-feira (9), que aplicou pela primeira vez em um ser humano uma terapia genética experimental com objetivo de rejuvenescer células. A informação foi publicada pela revista científica Nature.
O tratamento faz parte de um ensaio clínico voltado para pacientes com glaucoma, doença que pode levar à cegueira.
"A reprogramação tem um grande potencial se puder ser usada com segurança em humanos", afirmou Matt Kaeberlein, pesquisador da área de longevidade e cofundador da empresa Optispan.
A técnica utiliza três genes capazes de promover a chamada "reprogramação parcial" das células, processo que busca restaurar características de células jovens sem que elas percam sua função original.
A expectativa dos pesquisadores é estimular a regeneração dos neurônios do nervo óptico, estrutura responsável por transmitir informações visuais da retina para o cérebro.
O estudo é considerado um marco na área da medicina regenerativa porque representa o primeiro teste em humanos com uma tecnologia que, até agora, havia demonstrado resultados promissores apenas em animais.
Em pesquisas anteriores, cientistas observaram regeneração do nervo óptico e recuperação parcial da visão em camundongos idosos e com glaucoma.
A principal meta desta fase é avaliar a segurança do procedimento. Especialistas alertam que uma das preocupações é o risco de que células submetidas ao processo de reprogramação desenvolvam características associadas a tumores.