
Israel inicia ofensiva terrestre em larga escala em Gaza

As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram neste domingo (18) o início de uma nova fase da guerra contra o Hamas: uma operação terrestre de grande escala em Gaza, chamada "Carruagens de Gideão". A ofensiva ocorre simultaneamente no Norte e no Sul do enclave palestino, com o envolvimento de soldados da ativa e reservistas, segundo comunicado oficial das FDI.
A ação marca uma intensificação significativa da guerra iniciada em outubro de 2023, que já deixou, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 53.339 palestinos mortos desde o início da guerra em outubro de 2023, além de 121.034 feridos.

Já o Escritório de Mídia do Governo atualizou os dados e afirma que o número de mortos em Gaza ultrapassa 61.700, contando milhares de desaparecidos sob os escombros que são considerados mortos presumidos. Do lado israelense, os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 resultaram na morte de 1.139 pessoas e na captura de mais de 200, segundo autoridades locais.
Na última sexta-feira (16), a força aérea israelense realizou bombardeios em mais de 670 alvos atribuídos ao Hamas, em uma tentativa de "interromper os preparativos inimigos e apoiar as tropas em terra", conforme relataram as FDI. O exército israelense afirmou neste domingo ter "eliminado dezenas de terroristas" e que agora "está posicionado em pontos-chave dentro de Gaza".
O jornal The Times of Israel afirmou, citando autoridades de Tel Aviv, que o objetivo da operação é que o exército tome e mantenha controle de partes do território da Faixa de Gaza. A estratégia incluiria também o deslocamento da população civil para o Sul do enclave, além de atacar o Hamas e impedir que o grupo tome posse de suprimentos de ajuda humanitária.
Bombardeios matam mais de 140 palestinos em um único dia
A rede Al Jazeera reportou que pelo menos 140 palestinos foram mortos neste domingo em consequência dos ataques israelenses, que têm se intensificado nos últimos dias. Dentre as vítimas, 42 morreram nas regiões mais atingidas no Norte de Gaza. Segundo fontes médicas, cinco jornalistas também estão entre os mortos após o bombardeio de suas residências.
Um dos episódios mais letais ocorreu na região de al-Mawasi, em Khan Younis, no Sul de Gaza, onde um campo de tendas que abrigava palestinos deslocados foi bombardeado, matando ao menos 36 pessoas e ferindo mais de 100. Vídeos verificados pela Al Jazeera mostram corpos em chamas e feridos sendo levados para um hospital de campanha e para o Complexo Médico Nasser.
De acordo com as informações até o momento, 464 palestinos foram mortos apenas na última semana, período em que o exército israelense se preparava para ampliar sua incursão terrestre, apesar das crescentes críticas da comunidade internacional.
Hamas denuncia 'crime brutal'; ONU e Catar acompanham negociações
Em comunicado, o Hamas classificou o ataque a deslocados em Khan Younis como um "crime brutal" e uma clara violação do direito internacional. O grupo palestino responsabilizou os Estados Unidos pelo "escudo político e militar" concedido a Israel e denunciou a "perseguição e assassinato contínuos de trabalhadores da mídia".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar "alarmado" com os planos de expansão da operação terrestre e voltou a pedir contenção.
Enquanto isso, representantes de Israel e Hamas participam de novas rodadas de negociações no Catar. De acordo com o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, as conversas visam "esgotar todas as possibilidades de um acordo", que incluiria o fim dos combates, a libertação de todos os reféns, o exílio de integrantes do Hamas e o desarmamento da Faixa de Gaza.
Netanyahu também criticou Oren Setter, ex-negociador israelense que afirmou que o governo desperdiçou, em 2023, duas oportunidades de pôr fim à guerra por meio da troca de reféns. Setter, general da reserva, alertou neste domingo que Israel corre o risco de perder novamente a chance de alcançar um acordo abrangente.
Em contraponto, o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, pediu que a delegação israelense se retire das negociações em Doha e reafirmou que o objetivo da guerra deve ser a derrota total do Hamas.


