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Brasil e China ampliam parceria ferroviária para integrar América do Sul ao mercado asiático

Acordo prevê investimentos, tecnologia e rotas bioceânicas que conectam interior do Brasil ao Pacífico.
Brasil e China ampliam parceria ferroviária para integrar América do Sul ao mercado asiáticoGettyimages.ru / CFOTO/Future Publishing

O Brasil e a China avançaram em entendimentos estratégicos voltados à modernização e expansão da infraestrutura ferroviária brasileira.

O foco da parceria é criar um corredor logístico mais eficiente, com menor custo de transporte e maior integração entre o interior do país e os principais portos brasileiros, conectando diretamente a América do Sul ao mercado asiático.

O tema ganhou centralidade nas recentes reuniões entre autoridades dos dois países, nas quais foram debatidos projetos de construção e modernização de linhas ferroviárias com participação de empresas chinesas.

Entre os principais trechos em análise está a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), além de conexões com a Ferrovia Norte-Sul, considerada eixo fundamental da malha ferroviária nacional.

As iniciativas integram um plano mais amplo de desenvolvimento de corredores bioceânicos, que ligariam o Brasil à Bolívia, ao Peru e ao Chile, com acesso ao Oceano Pacífico.

A proposta visa reduzir a dependência das rotas tradicionais de exportação e aproximar o Brasil dos mercados da Ásia.

Além de aportes financeiros, a cooperação inclui transferência de tecnologia, capacitação técnica e soluções logísticas integradas. A China é considerada um parceiro estratégico nesse campo, dado seu histórico de grandes obras ferroviárias e investimentos em países da África e Ásia.

De acordo com o Ministério dos Transportes e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a ampliação do modal ferroviário também se alinha às metas ambientais brasileiras.

Por emitir menos gases de efeito estufa em comparação ao transporte rodoviário, o sistema ferroviário contribui para os compromissos climáticos assumidos pelo país.

Parceria insubstituível

Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a aproximação com a China representa um movimento estruturante da política externa brasileira. "A China é, hoje, um parceiro com quem o Brasil pode planejar o futuro", afirmou. Ele classificou o país asiático como uma "parceira estratégica insubstituível".

A relação entre os dois países vem se consolidando como uma das mais estáveis e abrangentes da diplomacia brasileira. Em 2023, Brasil e China celebraram 50 anos de relações diplomáticas com novos acordos, encontros bilaterais e ampliação do diálogo multissetorial.

Segundo Viana, a China não é apenas o maior destino das exportações brasileiras, com destaque para soja, minério de ferro e carne bovina, mas também investe em setores centrais como energia, logística, tecnologia e manufatura.

"Precisamos sair da lógica da exportação primária e avançar para um modelo de cooperação industrial, científica e tecnológica", declarou.

A parceria também avança em temas como mobilidade sustentável, saúde pública, semicondutores e veículos elétricos. A entrada do Brasil na Iniciativa do Cinturão e Rota (Nova Rota da Seda) e o fortalecimento dos BRICS reforçam esse alinhamento geoeconômico.

A ApexBrasil atua na prospecção de oportunidades para empresas brasileiras no mercado chinês e no apoio à atração de investimentos asiáticos para o Brasil. O objetivo, segundo Viana, é garantir uma estratégia nacional consistente para o aproveitamento do potencial da relação bilateral.

A cooperação ferroviária entre Brasil e China reforça o papel dos dois países como protagonistas no Sul Global, ampliando a conectividade continental e abrindo novos caminhos para uma inserção internacional mais autônoma e diversificada.