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Após denúncia de Erika Hilton, pastor será investigado por promover 'cura gay' e destransição'

De acordo com a parlamentar, as práticas atribuídas ao religioso configuram violência psicológica e homotransfobia.
Após denúncia de Erika Hilton, pastor será investigado por promover 'cura gay' e destransição'Reprodução/Divulgação Redes Sociais

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou nesta segunda-feira (2) que a denúncia apresentada por ela e pela vereadora de São Paulo Amanda Paschoal (PSOL) contra o pastor Flávio Amaral resultou na abertura de um inquérito policial.

O pastor é acusado de promover práticas de "cura gay'' e "destransição", além de ser investigado pelos crimes de violência psicológica contra a mulher e homotransfobia.

A denúncia tem como base o caso da jovem Letícia Maryon, de 22 anos, que tirou a própria vida após passar mais de um ano sob orientação do pastor.

"Recebi com alívio a notícia que nossa denúncia contra o pastor Flávio Amaral, que promove a 'cura gay' e a 'destransição', se tornou uma investigação policial", escreveu Hilton em publicação nas redes sociais.

"Resgatar transexuais para Jesus"

Em suas redes sociais, o pastor divulga o ministério "LPD – Libertos por Deus", no qual afirma realizar um processo de "reversão" ou "destransição" de pessoas trans. Ele descreve o que considera um caminho de libertação espiritual.

"Nós usamos nossa casa, nossa vida, nossas finanças e nosso amor, nossas mãos e pés para resgatar transexuais para Jesus, da maneira correta. Eles estão se libertando do pecado, negando o mundo e andando na única verdade: a Palavra de Deus", escreveu. 

Em uma das publicações, o pastor afirma ter realizado, ''para a glória de Deus'', uma cirurgia de retirada de silicone do corpo de um jovem que o acompanha há oito meses, utilizando o recursos de ''ofertas''.

Caso Letícia Maryon

O caso ganhou repercussão em outubro de 2024, quando a jovem trans Letícia Maryon cometeu suicídio após frequentar cultos do pastor Flávio Amaral.

Letícia foi uma das jovens submetidas às suas orientações religiosas, que incluíam jejuns forçados e falas públicas consideradas humilhantes.

A deputada Erika Hilton e a vereadora Amanda Paschoal formalizaram a denúncia ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em novembro do mesmo ano. Segundo o documento, as práticas de Amaral extrapolam os limites da liberdade religiosa, configurando discurso de ódio e violência psicológica.

Após a formalização da denúncia, o Ministério Público solicitou à Polícia Civil do Distrito Federal a instauração de inquérito. Em sua manifestação mais recente, Erika Hilton ressaltou a gravidade do caso: "Que a Polícia Civil do Distrito Federal realize suas diligências compreendendo o peso dessa denúncia: o de uma vida, que não está mais entre nós para dizer pelo que passou". 

"Tentar convencer alguém que sua própria existência está errada [...] é uma incitação ao sofrimento. E para muitos, uma incitação ao suicídio", escreveu a parlamentar.

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.