Zelensky admite que não leu memorando da Rússia, mas o qualifica como 'ultimato'

Mesmo sem ter lido o memorando apresentado pela Rússia no contexto das negociações em Istambul, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, alegou tratar-se de um ''ultimato''. Ele também qualificou os negociadores russos que viajaram à capital turca como ''idiotas''.
"Eu realmente não vi esse memorando, mas recebi informações de parceiros e da inteligência do que deve estar lá. E isso se parece com um ultimato da Federação Russa'', afirmou Zelensky em uma transmissão virtual desta terça-feira (2).
O ucraniano também rechaçou a proposta russa de estabelecer um cessar-fogo de 2 a 3 dias, com o objetivo de recolher os corpos de soldados caídos. Segundo Vladimir Medinsky, chefe da delegação, essa medida reduziria os riscos sanitários, evitando a possibilidade de epidemias, e garantiria a realização de enterros cristãos.
🇷🇺🗣 Chefe da delegação russa detalha proposta de cessar-fogo de 2 a 3 dias em certas partes do linha de frenteVladimir Medinsky explicou que a sugetão se deve à difícil situação sanitária em vários lugares da região.Saiba mais: https://t.co/2CP6XMDKqupic.twitter.com/2LVw9tRUfs
— RT Brasil (@rtnoticias_br) June 2, 2025
"Eles dizem estar prontos para um cessar-fogo de 2 a 3 dias para remover os mortos do campo de batalha. Eu acho que eles são idiotas, porque o cessar-fogo é basicamente para impedir que as pessoas sejam mortas'', argumentou Zelensky.
Quais são as propostas da Rússia?
A RT obteve acesso ao memorando apresentado pela delegação russa. O documento inclui pontos que, de acordo com o ponto de vista da Rússia, são necessários para que o conflito chegue a um fim. Dentre eles, constam:
- Reconhecimento jurídico internacional da incorporação da Crimeia, da República Popular de Lugansk e da República Popular de Donetsk, bem como das províncias de Zaporozhie e Kherson, à Federação da Rússia.
- Retirada completa das unidades do Exército ucraniano e de outras formações militares ucranianas desses territórios, que passaram a fazer parte da Rússia após consultas populares em 2022.
- Neutralidade da Ucrânia: Kiev não deve participar de alianças e coalizões militares. Também ficam proibidas atividades militares por parte de terceiros Estados no território ucraniano e a presença de formações armadas, bases militares e infraestruturas militares estrangeiras no país.
- No futuro, a Ucrânia também deverá rescindir todos os acordos internacionais que sejam incompatíveis com o status de neutralidade e se recusar a firmar acordos semelhantes.
O chefe da delegação russa, Vladmir Medinsky, enfatizou à RT que ''definitivamente'' não se trata de um ultimato, mas sim de "uma proposta integral" que permitirá alcançar a paz a longo prazo ou, ao menos, um cessar-fogo.
