A missão chinesa Chang’e-6 trouxe à Terra uma surpresa: fragmentos de meteoritos raros encontrados no lado oculto da Lua, revelando novos detalhes sobre a formação do satélite. A descoberta foi publicada na segunda-feira (20) na revista PNAS.
As análises das amostras coletadas em um cratera lunar identificaram mais de 5 mil fragmentos de um tipo incomum de meteorito, levantando dúvidas sobre sua origem e composição.
Ao examinar pedaços de olivino, mineral presente em meteoritos e rochas vulcânicas, os cientistas observaram que sua química não corresponde a materiais lunares nem terrestres.
Os fragmentos se assemelham aos meteoritos do tipo CI condrito, conhecidos por serem ricos em água e compostos voláteis, com até 20% de seu peso formado por minerais hidratados.
Um achado sem precedentes
A principal surpresa veio dos testes químicos e isotópicos. Ao analisar proporções de ferro, manganês, óxidos de níquel e cromo, além de isótopos de oxigênio e silício, os pesquisadores concluíram que os fragmentos provavelmente vieram de um asteroide CI que colidiu com a Lua. O impacto fundiu o material, que se resfriou rapidamente e preservou sua composição por bilhões de anos.
Meteoritos desse tipo são frágeis e dificilmente resistiriam à entrada na atmosfera terrestre ou à força dos impactos lunares. A Lua, sem atmosfera, não queima meteoritos, mas a energia das colisões costuma vaporizar ou lançar o material de volta ao espaço.
A preservação desses fragmentos representa a primeira evidência física direta de que condritos carbonáceos do tipo CI atingiram a Lua nos primórdios do Sistema Solar.