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Uma nova pandemia? Estudos identificam variante viral silenciosa

O agente patológico circula amplamente em bovinos e suínos, mas encontra receptores adequados nos pulmões humanos, replicando-se bem e driblando parcialmente a vigilância imune inicial.
Uma nova pandemia? Estudos identificam variante viral silenciosaLegion-media.ru / Steinach

Enquanto a população e a economia global ainda se recupera do impacto da pandemia da COVID-19, um novo agente entra em cena discretamente. O vírus da influenza D, antes visto como problema exclusivo de gado bovino e suíno, passou a demonstrar uma inquietante capacidade de se adaptar às vias respiratórias humanas, revelou estudo conduzido pela Universidade Estatal de Ohio e publicado em fevereiro deste ano.

O vírus se replica em laboratório de forma eficiente em diferentes modelos de tecido respiratório humano, identificou a pesquisa, alcançando cargas virais comparáveis às de um influenza A clássico. A descoberta levanta a questão incômoda da possibilidade de convivência com um "vírus silencioso", dotado de potencial para a próxima grande emergência sanitária.​

O influenza D foi identificado em 2011 em porcos com doença respiratória, e logo o gado passou a ser reconhecido como principal reservatório, com anticorpos detectados em várias espécies de camundongos, furões e porquinhos-da-índia, testados em laboratório. Estudos sorológicos em trabalhadores que lidam com bovinos e suínos mostram altas taxas de anticorpos contra o vírus.

Paralelamente, material genético do influenza D é sistematicamente identificado em trabalhadores de granja e em aerossóis de aeroportos e hospitais, sugerindo que infecções humanas podem já estar ocorrendo de forma subclínica ou confundida com outras viroses respiratórias.​

O medo da próxima pandemia

Em diferentes ensaios, o influenza D se comporta como um "habitante discreto" das vias aéreas humanas, alcançando níveis elevados em células pulmonares e em modelos de tecido, mas com pouco dano visível às estruturas infectadas.

Ao mesmo tempo, a infecção ativa muito pouco o sistema imune inato, em comparação ao influenza A. A variante D induz resposta de interferon mais fraca, o que permite ao vírus se multiplicar antes que o organismo perceba plenamente a ameaça.

Esse conjunto de características alimenta o medo de uma nova pandemia: um agente patológico que circula amplamente em bovinos e suínos, mas encontra receptores adequados nos pulmões humanos, replicando-se bem e driblando parcialmente a vigilância imune inicial.

Contudo, ainda não há evidência de transmissão sustentada entre pessoas, o que abre uma janela para ações preventivas, reforçando a vigilância em feiras e granjas, investindo em pesquisa sobre biologia, patogênese e possíveis vacinas, e comunicando riscos de forma responsável.