
'Campos de concentração': Petro condena política nacional de importante aliado de Trump

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou no sábado (28) uma das alianças latino-americanas mais próximas do presidente americano, Donald Trump, na América Latina, desaprovando o sistema de segurança do governo de Nayib Bukele em El Salvador.

Petro alerta que "há um grande número de inocentes presos em campos de concentração salvadorenhos", o que, em sua opinião, levará a mais violência no futuro.
O "modelo Bukele" de segurança pública é notório pela adoção de medidas severas de contenção do crime organizado, combinando encarceramento em massa e endurecimento policial sob um regime jurídico de exceção. Seu elemento mais emblemático é o Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT), o modelo de megapresídio com capacidade para 40 mil pessoas, sem visitas, reabilitação ou atividades externas, concebido exclusivamente para contenção.
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"Prisões bastante grandes, tão grandes que não se consegue enxergar de um lado para o outro a menos que se tenha visão perfeita e se use binóculos", disse Trump no início de fevereiro, durante uma exaltação de sua relação com o presidente salvadorenho. "E cumprem sua função. Cumprem uma função muito humana, mas são prisões muito rigorosas".
O modelo serve de inspiração a figuras políticas em toda a região. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, emitiu um pedido de colaboração em políticas prisionais com Bukele pouco após sua eleição; o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, visitou El Salvador em abril do ano passado; e mesmo os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro se encontraram diretamente com o presidente, em uma visita conduzida em novembro.
"Isso não se chama justiça, chama-se fomentar nova violência destruindo seres humanos", escreveu Petro em rede social, compartilhando uma investigação do jornal espanhol El País que aponta que "mais de 33 mil pessoas detidas por Bukele não constavam como membros de gangues nos registros policiais".
"Na Colômbia temos 180 mil presos, em El Salvador 33 mil são presos inocentes. Todos sofrem violações dos direitos humanos, muitos querem vingança", acrescentou.
Nesse sentido, Petro insistiu que a solução para o crime e a violência deve ser alcançada por meio de reformas sociais e oportunidades para toda a sociedade. "Não teríamos tráfico de drogas se a reforma agrária tivesse sido implementada há um século", argumentou.
Ele destacou que, durante seu mandato, crimes como "roubo, extorsão e assassinato de mulheres, ou homicídio por motivos que não sejam assassinatos por encomenda", diminuíram na Colômbia.

