
Embaixador do Japão no Brasil gera atrito após fala sobre Taiwan; entenda

A declaração do embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, sobre Taiwan desencadeou uma reação da China e elevou o tom nas relações diplomáticas entre os dois países.
Em entrevista ao portal Poder360 no domingo (29), Noguchi afirmou que o Japão está sempre "aberto à China para resolver discrepâncias, problemas ou diferenças". Segundo ele, Tóquio busca solucionar impasses por vias diplomáticas e construir relações mais estáveis. "Há muitos benefícios entre Japão e China. A porta do Japão está aberta a dialogar", disse.
As declarações ocorreram em meio a questionamentos sobre Taiwan, tema considerado sensível por Pequim. Nesta segunda-feira (30), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reagiu às falas do diplomata japonês.
"A questão de Taiwan é um assunto interno da China, e o princípio de 'Uma Só China' é o fundamento político das relações sino-japonesas", afirmou.
Durante coletiva de imprensa, Mao Ning destacou que o diálogo entre os países depende do respeito mútuo e do cumprimento dos compromissos estabelecidos. Segundo ela, não é possível avançar nas relações enquanto interesses fundamentais são afetados.
"Não se pode simplesmente falar em diálogo enquanto se mina os interesses fundamentais da outra parte. O Japão precisa refletir sobre seus erros e corrigi-los, cumprir os quatro documentos políticos entre a China e o Japão e seus próprios compromissos, tomando medidas concretas para demonstrar sinceridade", declarou.
O episódio ocorre em um contexto de tensões recentes entre Pequim e Tóquio. A relação entre os dois países tem enfrentado desafios desde a chegada da primeira-ministra Sanae Takaichi ao poder.

A China já havia se manifestado sobre a visita de Takaichi ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o desenvolvimento das relações internacionais "deve ser propício à paz e à estabilidade regional, em vez de visar qualquer país terceiro".
Além disso, Pequim também protestou contra mudanças em livros didáticos japoneses previstas para 2027, classificadas como revisionismo histórico, e contra um ataque à embaixada chinesa em Tóquio.
