
Poder de compra deste país da União Europeia cai ao menor nível desde 2013

O poder de compra das famílias francesas deve recuar em 2026 e atingir o nível mais baixo desde 2013, segundo previsões divulgadas em 8 de abril pelo Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE). A queda é atribuída ao choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio e à ausência de medidas orçamentárias de apoio.

De acordo com o instituto, a alta dos preços da energia, impulsionada pela guerra contra o Irã, pressiona o orçamento doméstico e pode levar o consumo francês ao mesmo patamar observado há treze anos, tema que figura entre as principais preocupações da opinião pública.
No cenário central do OFCE, a economia francesa deve crescer apenas 0,8% neste ano, nível próximo ao estimado pelo Banco da França. O aumento da inflação, alimentado por um barril de petróleo avaliado em média a 91 dólares, retiraria 0,2 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Sem margem orçamentária, o governo não prevê medidas emergenciais para conter a alta das contas de energia. Questionado no Senado em 9 de abril, o ministro da Economia, Roland Lescure, rejeitou o controle de preços dos combustíveis: "O controle de preços: ou os preços sobem, ou você organiza a escassez."
Segundo o instituto, a consequência direta será a estagnação do consumo e do investimento empresarial ao menos até o outono. As famílias devem recorrer à poupança, cujo índice cairia para 16,9%, "o pior resultado desde 2013".
O OFCE projeta ainda aumento do desemprego para 8,3% no fim de 2026, com a extinção de cerca de 170 mil empregos no setor privado.
Economistas citados no relatório afirmam que a retração é inédita em magnitude recente, enquanto o instituto alerta que uma escalada prolongada no Oriente Médio pode reduzir o crescimento para 0,4%, elevando o risco de recessão técnica.

