
Educada nos EUA e defensora do 'pulso firme': Keiko Fujimori lidera eleições em quarta tentativa

Keiko Sofía Fujimori Higuchi é possivelmente a política mais conhecida do Peru e agora volta aos holofotes liderando o primeiro turno da eleição presidencial. Com 64,27% das urnas contabilizadas nesta segunda-feira (13), ela está com 16,93% dos votos válidos.
Há 20 anos na política partidária, Keiko perdeu três vezes as eleições presidenciais no segundo turno. Antes, com apenas 19 anos, fez história tornando-se a primeira-dama mais jovem da história da América.
Tal fato ocorreu em 1994 quando seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, divorciou-se de sua mãe, Susana Higuchi. Desde então e até o ano 2000, quando terminou o mandato dele, ela cumpriu o papel protocolar de primeira-dama.
#EnVivoKeiko Fujimori: "Vamos a priorizar el diálogo. Y ese será nuestro actuar en el futuro Congreso bicameral de Fuerza Popular".Encuentra las noticias del día AQUÍ ► https://t.co/zLv8mA77jrpic.twitter.com/3c5gnFLOyQ
— América Noticias (@noticiAmerica) April 13, 2026
Fez sua formação nos Estados Unidos, onde obteve tanto uma graduação em Administração de Empresas na Universidade de Boston, quanto um mestrado também em Administração de Empresas na Universidade de Columbia.
Nova tentativa
Em 2006 deu o salto para a política; enquanto seu pai enfrentava processos judiciais por diversos crimes, Fujimori foi eleita congressista até 2011 pela extinta Aliança pelo Futuro.

Nessa trajetória, fundou seu atual partido, Força Popular, que engloba o fujimorismo. Assim que terminou seu período parlamentar, começou a buscar sua grande aspiração: a Presidência.
Foi candidata em 2011, 2016 e 2021. Primeiro perdeu para Ollanta Humala, depois para Pedro Pablo Kuczynski e, por último, para Pedro Castillo. Desde 2011, sua quantidade de votos alcançados vinha em declínio, mas neste ano ressurgiu.
No primeiro turno de 2021, Castillo recebeu mais apoio que ela. Fujimori obteve 13,4%, equivalente a 1,9 milhão de votos. Já agora, as projeções a favorecem.

A Associação Civil Transparência e a empresa de pesquisas Ipsos, autorizadas a divulgar uma contagem rápida integral, mostraram Fujimori com 17,1%, quase cinco pontos acima do segundo colocado, com 95,7% da apuração concluída.
Nesses números, reflete-se um empate técnico entre Roberto Sánchez (12,4%), Rafael López Aliaga (11,3%) e Jorge Nieto (10,7%). Um deles estará no segundo turno contra Fujimori no próximo dia 7 de junho.
Pulso firme contra o crime
Fujimori foi acusada de suposta lavagem de dinheiro em suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016; no entanto, em 2025, o Tribunal Constitucional anulou a investigação e a acusação fiscal por estarem "carentes de sustentação jurídica e claramente opostas ao estabelecido na Constituição".
Livre de acusações, agora a ex-congressista tem "uma missão muito clara: o Peru precisa voltar a recuperar a ordem". Em um resumo de seu plano de governo, ela defende as "decisões firmes" que seu pai tomou no final do século XX. Alberto Fujimori foi condenado, em 2009, a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos.
"É hora de impor pulso firme e voltar a ordenar nosso país. Hoje, nós cidadãos vivemos atrás das grades e os criminosos estão livres (...). O inimigo mudou desde os anos 90, mas a necessidade é a mesma: ordem", afirmou em alusão à insegurança vivida pelo país.
Para a economia, promete a "maior revolução de simplificação burocrática em décadas" para "destravar a economia peruana". Da mesma forma, propõe construir "grandes obras", como rodovias, pontes, metrôs e aeroportos.

