
País da OTAN compra volume recorde de gás da Rússia em meio à crise energética

A Espanha bateu, em março, o recorde de compras mensais de gás russo, com entradas de cerca de 9.807 gigawatts-hora (GWh), segundo dados do operador do sistema gasista, Enagás, citados pelo El País, em publicação desta quinta-feira (16).
Desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, marcada por uma crise energética após o bloqueio do Estreito de Ormuz, as compras de gás russo por operadores que abastecem a Espanha atingiram o nível mais alto já registrado em um único mês.
As importações superam, inclusive, os valores de 2023, quando uma alta dos preços provocou forte crise energética.
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Ao se referir a esse "recorde histórico", o jornal espanhol lembrou que, embora as importações de energia russa estejam sujeitas a sanções da União Europeia, o calendário de aplicação dessas medidas aprovado por Bruxelas permite continuar comprando esse hidrocarboneto da Rússia até 2027.
"Muitas solicitações de fornecimento"
Em meio aos conflitos no Golfo Pérsico, a Rússia registrou um aumento significativo nos pedidos de compra de gás em mercados alternativos.
"Os mercados alternativos são muito vorazes: há muitas solicitações de fornecimento", afirmou em 12 de abril o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Por outro lado, o porta-voz indicou que, apesar da tentativa da UE de eliminar totalmente os fornecimentos energéticos russos, o país euroasiático está disposto a continuar fornecendo gás à Europa, desde que haja volumes disponíveis.
"Por que não? Se restar gás após atender aos mercados alternativos. Por enquanto há muito, por enquanto sobra", completou Peskov.
Europa no foco da crise energética
O comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, afirmou, no início de abril, que o aumento dos preços do petróleo e do gás provocado pela guerra contra o Irã não deve ser revertido no curto prazo.
Além disso, ele afirmou que, desde o início do conflito, a conta da União Europeia com importações de combustíveis fósseis aumentou em 14 bilhões de euros, o equivalente a mais de 16 bilhões de dólares.
Jorgensen pediu aos países do bloco que considerem reduzir o uso de petróleo e gás no setor de transportes como medida de preparação para uma "disrupção prolongada".

