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Irã decide não participar de negociações com os Estados Unidos, diz mídia iraniana

A decisão de não comparecer à capital do Paquistão, Islamabad, ocorre pouco antes do fim do cessar-fogo entre Washington e Teerã.
Irã decide não participar de negociações com os Estados Unidos, diz mídia iranianaMorteza Nikoubazl/NurPhoto/Gettyimages.ru

O Irã decidiu não enviar sua delegação a Islamabad na quarta-feira (22) para retomar as negociações com os Estados Unidos e, por ora, não vê perspectivas de reinício das conversas, informou nesta terça-feira (21) um jornalista da agência Tasnim. Segundo a emissora iraniana, a equipe de negociação comunicou essa posição aos EUA por meio do mediador paquistanês.

Segundo fontes citadas pela Tasnim, Teerã aceitou o cessar-fogo e as negociações subsequentes com base em um acordo de 10 pontos que os Estados Unidos supostamente aceitaram, mas depois acusou Washington de descumprimento e de "exigências" que, de acordo com essas fontes, violavam o acordo inicial.

O veículo de comunicação iraniano também observa que, apesar do anúncio do Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz para navios comerciais nesses termos, os Estados Unidos mantiveram o que descreveram como um bloqueio naval. Além disso, o veículo destaca que não houve progresso nas recentes negociações, levando o Irã a acreditar que novas conversas seriam uma perda de tempo.

  • No último dia 7 de abril, os EUA e o Irã firmaram uma trégua de duas semanas e concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
  • Apesar de terem começado este mês as negociações em Islamabad, capital do Paquistão, para pôr fim ao conflito, a primeira rodada de conversações terminou sem o resultado esperado.
  • Nesse contexto, Trump atribuiu o fracasso à parte iraniana que, segundo ele, se recusou a renunciar às suas ambições nucleares" e decidiu bloquear o estreito de Ormuz.
  • Teerã reabriu o Estreito de Ormuz na última sexta-feira (17). No entanto, um dia depois, restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego nessa importante via marítima devido, segundo denúncias, às repetidas violações e à pirataria por parte dos EUA sob o pretexto do bloqueio naval.
  • A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington levante completamente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e o navio infrator será atacado", sublinhou.]
  • Paralelamente, Trump enfatizou que Teerã não poderá chantagear Washington com decisões sobre essa importante rota marítima.