
O que realmente influencia o que vemos em nossos sonhos

Os sonhos não são processos aleatórios ou caóticos, mas sim construções mentais influenciadas tanto pela personalidade quanto pelas experiências cotidianas, informou recentemente a Escola de Estudos Avançados IMIT de Lucca (Itália).
Como parte de um novo estudo, publicado na revista Communications Psychology, cientistas analisaram mais de 3,7 mil relatos de sonhos e vivências diárias de quase 300 pessoas durante duas semanas. Além disso, coletaram informações sobre hábitos de sono, traços de personalidade e habilidades cognitivas.
A parte oculta dos sonhos
Após analisar esses dados por meio de ferramentas de Processamento de Linguagem Natural (PLN), descobriu-se que o cérebro não apenas reproduz fielmente a realidade durante o sono, mas a transforma em cenários imaginativos.

De acordo com os pesquisadores, lugares familiares, como a escola ou o trabalho, aparecem nos sonhos combinados com memórias e eventos imaginários, criando experiências vívidas e, às vezes, surreais. A pesquisa também constatou que as características individuais influenciam notavelmente a qualidade dos sonhos.
Por exemplo, aqueles que tendem a divagar com a mente acordados relatam sonhos mais fragmentados e mutáveis, enquanto aqueles que valorizam seus sonhos e lhes atribuem um significado experimentam cenas mais ricas e imersivas. Da mesma forma, eventos coletivos, como a pandemia de coronavírus, geraram sonhos mais emocionais e carregados de sensações de restrição.
A pesquisadora Valentina Elce explicou que os sonhos representam "um processo dinâmico moldado por quem somos e pelo que vivemos". Este estudo também evidenciou que o uso da inteligência artificial, em particular as ferramentas de PLN, poderia facilitar a análise da consciência, da memória e da saúde mental em grande escala.
